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Energia: mercado livre fecha 2020 em expansão

Autor:
Mara Bianchetti, Diário do Comércio

Apesar da redução drástica no consumo de energia a partir das medidas de distanciamento social, incluindo a suspensão de diversas atividades econômicas País afora, logo da chegada da pandemia de Covid-19 ao Brasil, em março de 2020, o mercado livre de energia se ajustou e encerrou o ano com crescimento. Diante do cenário, especialistas consultados pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO avaliam o exercício anterior como positivo e projetam um 2021 ainda marcado por impactos, negociações e até racionamento de energia.

Dados da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) dão conta de que, apenas em dezembro, o mercado correspondia a 32% do total consumido no País, com um volume de 97.855 MWmed de energia transacionada. Também no último mês de 2020, eram 8.378 consumidores no mercado livre – aumento de 22% sobre dezembro de 2019 – e 85% do consumo industrial do País estava no segmento, segundo a Abraceel.

Para o presidente-executivo da entidade, Reginaldo Medeiros, 2020 pode ser resumido como um ano desafiador. Conforme ele, a partir das negociações e adaptações, o mercado livre conseguiu transpor obstáculos e ensinar ao mercado regulado grandes lições. “No final do ano, tivemos uma recuperação do consumo e acredito que, se todos já estivessem no mercado livre, o ano teria sido sumariamente positivo diante das circunstâncias”, afirmou.

Neste sentido, Medeiros ressaltou que o grande desafio do setor elétrico em 2021 será justamente avançar na reforma do setor, com a aprovação dos projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional. Medeiros disse que a associação desenvolveu um estudo sobre os desafios para abertura total do mercado livre e que, nas próximas semanas, o mesmo será apresentado aos órgãos competentes para dar prosseguimento ao pleito.

“Essa discussão é indispensável para que todos os consumidores tenham acesso ao mercado livre. Este ano, tão logo o problema da pandemia seja superado, o assunto precisará voltar à pauta”, ressaltou.

O presidente da CMU Comercializadora de Energia, Walter Fróes, chamou atenção para a aceleração na migração de consumidores para o mercado livre durante 2020 e afirmou que a expectativa é boa para o atual exercício. Para ele, o setor passou por um teste muito importante no ano passado e mostrou robustez, o que levará à continuidade do crescimento também em 2021.

“A crise foi mais aguda entre abril e junho, pois o consumo despencou. Mas conseguimos resolver problemas, negociar com clientes sem judicialização e o mercado se ajustou”,resumiu.

Neste sentido, dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) mostram 1.732 migrações de consumidores do Ambiente de Contratação Regulado (ACR) no ano passado, somando 1.618 especiais e 114 livres. Isso levou a um crescimento de 23% no número de consumidores especiais, que já são 7.556. O volume de consumidores livres, por sua vez, teve evolução de 11%, chegando a 1.023.

O sócio-diretor da Enecel Energia, Raimundo de Paula Batista Neto, também disse que foi um ano de muita turbulência, com queda grande no consumo num primeiro momento e que as comercializadoras precisaram negociar contratos. Para ele, assim como outros setores, muitos não conseguiram se manter, o que, naturalmente, confere agora maior nível de segurança ao mercado, dada a solidez das empresas remanescentes.

Desafios – Para 2021, conforme ele, o ano promete muitos desafios. A começar por um mês de janeiro marcado por preços elevados. “O motivo é que tivemos uma péssima administração por parte do operador nacional, que usou nossas reservas em poucos meses e iniciamos o ano com níveis muito baixos em nossos reservatórios. Se não tivermos um volume de chuva considerável nos próximos dois meses, poderemos ter problemas de abastecimento no segundo semestre e até racionamento de energia”, alertou.

Ainda conforme a CCEE, a média semanal do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) encerrou a última semana em R$ 215,56/ MWh no submercado Sudeste.

Já o consultor na área de energia, Aloisio Vasconcelos, acredita que, mesmo após toda a turbulência enfrentada pelo setor em 2020, o quadro de fornecimento e a relação entre a oferta e o consumo de energia estão tranquilos, mesmo com alguns reservatórios com níveis baixos. De toda forma, segundo ele, os preços deverão oscilar no decorrer deste exercício. “Deve subir um pouco por causa de um contrato, descer por causa de alguma negociação, mas tudo dentro da normalidade para qual o setor já está já está já está estruturado”, sugeriu.

Demanda por gás deve subir neste ano 


São Paulo – A demanda global por gás deve crescer 2,8% neste ano, ou cerca de 110 bilhões de metros cúbicos (bcm), voltando aos níveis de 2019, disse um analista da Agência Internacional de Energia (IEA na sigla em inglês) em um evento da indústria ontem.

Os mercados globais de gás tiveram a maior queda já vista no ano passado, quando se estima que o consumo desabou 100 bcm devido a um clima mais ameno no início do ano e à pandemia de Covid-19, que derrubou a demanda por energia, afirmou o analista sênior de gás natural da IEA, Jean-Baptiste Dubreull.

Ainda assim, a demanda por gás se mostrou mais resiliente que por outras fontes de energia, como o petróleo, acrescentou ele, durante conferência on-line.

Preços do gás natural liquefeito (GNL), que atingiram mínimas no mercado spot devido à pandemia, se recuperaram para máximas recorde neste ano, impulsionados por baixas temperaturas e questões de oferta.

“A demanda por gás natural é mais sensível à temperatura que outros combustíveis”, disse Dubreuil.

Ele afirmou ainda que, embora a demanda por gás deva se recuperar neste ano, não há expectativa de uma grande retomada e mercados mais maduros podem ver uma recuperação apenas gradual, com alguns deles ainda não retornando a seus níveis de 2019. Dubreuil disse também que espera novas oportunidades e desafios em um contexto de incerteza sobre a demanda por GNL no médio prazo. Cerca de um terço dos contratos ativos de GNL vencerá até 2025, enquanto a capacidade de liquefação deve crescer em 20%, o que quadruplicará os volumes descontratados. (Reuters)

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