painel solar

Novo parque solar terá R$ 1,6 bi em MG

Autor:
Daniel Rittner, Valor Econômico

Projeto, dos grupos Solatio e Perfin, fornecerá 130 MW médios para indústria de silício por 20 anos

A multinacional espanhola Solatio e a gestora de recursos Perfin vão investir cerca de R$ 1,6 bilhão para construir um parque de energia fotovoltaica com 650 megawatts-pico de potência no município de Várzea da Palma (MG).

O projeto deve ter suas obras iniciadas no fim do primeiro semestre e o início do fornecimento está previsto para janeiro de 2023. Toda a produção será comercializada no mercado livre de energia, ou seja, para grandes consumidores e com preços negociados sem regulação estatal.

Mais de 80% dos megawatts gerados já têm um cliente certo: a fabricante de silício metálico Liasa, com sede em Pirapora (MG), que fechou contrato de 20 anos para se abastecer com a energia proveniente da nova usina solar.

O compromisso é de 130 megawatts médios e garante toda a necessidade atual de suprimento da empresa, que exporta 85% de sua produção e por isso optou por um contrato dolarizado, o que é pouco comum para algo de tamanho porte e longo prazo no setor.

O diretor de energia da Liasa, Ary Pinto Ribeiro, diz que a troca do carvão mineral pelo vegetal como insumo no processo produtivo e a substituição de outros contratos de fornecimento pela fonte solar reforçam o selo de sustentabilidade da companhia. “Garante a nossa competitividade e permite que continuemos sendo um empregador relevante na região.

Batizado de Helio Valgas, o projeto está com terreno e licenciamento totalmente regularizados, segundo o presidente da Solatio, Pedro Vaquer. A empresa ibérica, presente no Brasil desde 2009, já ergueu parques solares suficientes para abastecer o equivalente a 7,7 milhões de residências em território brasileiro e está com 5,5 mil megawatts de usinas fotovoltaicas em desenvolvimento nos próximos anos – com empreendimentos concentrados na região Sudeste daqui em diante.

Após uma imersão no mercado regulado, em que distribuidoras de energia contratam o fornecimento com geradoras em leilões organizados pelo governo, a Solatio decidiu focar sua expansão exclusivamente no mercado livre.

“O preço é a grande vantagem. Está em um patamar superior ao do ACR [ambiente de contratação regulado], onde dependemos de decisões políticas, e os bancos financiadores estão cada vez mais familiarizados com os contratos de longo prazo do mercado livre”, afirma Vaquer.

A Perfin Asset Management, que administra o fundo Mercury (de participações em energia e potencialmente saneamento), será majoritário na sociedade com a Solatio para erguer o novo projeto. As fatias exatas de cada um, porém, não estão fechadas.

Ralph Rosenberg, sócio-fundador da Perfin, diz que o objetivo do fundo é alcançar uma carteira de 1.400 megawatts de potência instalada, principalmente em parceria com a multinacional espanhola. A gestora já tem projetos de energia fotovoltaica em Pernambuco, em Minas e em São Paulo – sempre com geração centralizada.

Nessa modalidade, uma empresa ou grupo de empresas constrói “condomínios solares” afastados dos centros urbanos, entregando a geração de energia à distribuidora da área de concessão e obtendo créditos para consumir a mesma quantidade de megawatts onde realmente se encontram suas operações físicas.

O projeto em Várzea da Palma, no entanto, é a maior aposta até agora da Perfin. “Estamos ainda estudando a modalidade de financiamento”, diz Rosenberg, que cita a emissão de debêntures de infraestrutura ou bancos de desenvolvimento como algumas opções. “Como o contrato é dolarizado, não descartamos uma emissão de bonds no exterior. No limite, será ‘full equity’ da gente.”

A gestora tem trabalhado em parceria nas áreas em que atua, como com a Casa dos Ventos em energia eólica, com a Alupar em linhas de transmissão e com a Comerc em eficiência energética. “É um setor [o elétrico] em transição. O Brasil precisa e queremos estar em todos os pontos da cadeia que entendemos como necessários.”

O projeto Helio Valgas teve assessoria da comercializadora de energia CMU, do empresário mineiro Walter Fróes, que fez a costura entre desenvolvedores, investidores e consumidores finais.

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