Energia vai ficar, no mínimo, 4,6% mais cara em abril

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Os consumidores brasileiros já começam a ter uma ideia do quanto a estiagem prolongada vai pesar no bolso. Ontem, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estimou em R$ 5,6 bilhões o rombo na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), o que vai significar um aumento de 4,6% nas contas de energia a partir da data de reajuste de cada concessionária. O reajuste da Cemig acontece em 8 de abril.

A CDE é uma espécie de fundo de onde saem os recursos para pagamentos de usinas térmicas e de programas do governo, como o Luz para Todos e a Tarifa Social, voltados para a população de baixa renda. A proposta de reajuste ficará em consulta púbica de amanhã até 16 de março.
O impacto nas contas, porém, poderá ser bem maior se o governo não bancar os gastos das distribuidoras com a compra de energia no mercado de curto prazo e com as usinas térmicas. No ano passado, o aporte para essas despesas foi de R$ 9,8 bilhões. Neste ano, a proposta da Aneel para o orçamento da CDE prevê despesas de R$ 17,9 bilhões. Fontes do setor elétrico estimam que a conta, com a compra de energia no mercado de curto prazo e com as usinas térmicas, seria de R$ 10 bilhões adicionais, o que significaria um aumento de mais 10% nas tarifas.
Somente em janeiro, o gasto com a compra de energia, por parte das distribuidoras, chegou a R$ 1,5 bilhão. Todas as medidas de socorro às distribuidoras, desde o ano passado, são feitas com verbas da CDE.
O reajuste de 4,6% também não considera a devolução, por meio da tarifa, dos aportes feitos pelo Tesouro no ano passado, de R$ 9,8 bilhões, que evitaram um aumento médio de 10% na conta. Isso porque o governo ainda não estabeleceu como será feita a devolução.
Repasse. O repasse do alto custo da energia ao cidadão já era previsto por especialistas do setor. “Vamos pagar como consumidor ou como cidadão”, diz o diretor geral da CMU Comercializadora de Energia, Walter Fróes, explicando que ou há aumento nas tarifas ou o governo arca com as despesas usando o Tesouro Nacional.
“A possibilidade de racionamento é muito pequena, mas os custos preocupam muito”, afirmou o presidente do Conselho de Política Econômica da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Lincoln Gonçalves. Ele diz que além de pagar mais pela conta de luz, os consumidores terão produtos mais caros, porque o custo de produção também está elevado e será repassado pelas indústrias.
O presidente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), Reginaldo Medeiros, afirmou que a energia está cara devido à escassez. Ele explica que o uso das térmicas encarece muito a geração e, atualmente, esse tipo de usina está trabalhando a todo vapor. O preço do Megawatt/hora (MW/h) quase dobrou de janeiro para fevereiro, chegando a R$ 822,83, o teto definido pela Aneel. (Com agências)
Risco de racionamento de 17,5%
Brasília. A probabilidade de o Brasil ter de decretar um racionamento neste ano – com corte de carga superior a 4% – é de 17,5%. A estimativa consta do relatório Energy Report, da Consultoria PSR, intitulado “Piti do mercado ou lentes cor-de-rosa do governo?”. No documento, a empresa faz simulações com base em dados oficiais de oferta, demanda e hidrologia utilizados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para o mês de fevereiro.
Os cálculos foram repetidos para 1.200 cenários de afluências durante o ano de 2014. O resultado é o retrato da situação atual, considerada séria, mas que pode mudar se chover nos próximos dias.
Eletrobras
Aperto. As seis distribuidoras da Eletrobras valem em torno de R$ 1,2 bilhão, mas precisam de R$ 3,5 bilhões em investimentos. A empresa pode repassar parte delas à iniciativa privada.
Reservatório
Mais baixo. Os reservatórios estão cada vez mais vazios. No sistema Sudeste/Centro-Oeste, o maior do país, o nível era de 37,6% no domingo e caiu para 37,16% na segunda-feira.

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