Chuva foi insuficiente nas usinas do Triângulo Mineiro

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As previsões de chuva para o Triângulo Mineiro entre 22 e 25 de janeiro foram frustradas, empurrando para fevereiro todas as esperanças de recuperação do nível dos reservatórios do sistema Sudeste/Centro-Oeste, responsável por 70% da geração de energia do país. Como o consumo continuou em alta devido ao calor, os reservatórios da região baixaram de 17,30% para 17,24%.

Dos 60 milímetros de precipitação esperados para no período (média dos últimos 30 anos), apenas 10, aproximadamente, foram registrados na área, segundo dados do TempoClima. O cenário, que já não era dos melhores, fica ainda mais preocupante.

“O governo já deveria ter tido a sensatez de iniciar os cortes programados de energia, mas está deixando para a última hora”, alerta o presidente da CMU Comercializadora de Energia, Walter Fróes. De acordo com ele, fevereiro é o mês de maior índice de chuvas. No entanto, com as mudanças no clima, apostar todas as fichas no mês que vem é perigoso. “Se não chover o suficiente e o governo insistir em não fazer os cortes programados, o sistema vai cair”, critica.

A ajuda da população também é bem-vinda. Em 2001, quando verificou-se o risco de apagão pela primeira vez, a sociedade foi convocada a reduzir o consumo e o resultado foi um sucesso, na avaliação do especialista. Além de o consumo ter diminuído em 20%, a carga só voltou aos mesmos patamares três anos depois, o que significa que as pessoas aprenderam a utilizar a energia com parcimônia.

No entanto, Fróes ressalta que os esforços devem começar imediatamente. “Uma falha no sistema, como a última, trará inúmeros prejuízos tanto para a população quanto para a indústria”, afirma.

Precipitação precisa acontecer nas cabeceiras dos rios

As chuvas registradas em Belo Horizonte não contribuem de maneira expressiva para encher os reservatórios do país. Conforme o diretor do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina), Roberto D’araújo, é necessário chover no Triângulo, onde estão localizadas as cabeceiras do Rio Grande e do Rio Paranaíba, que deságuam no Paraná, onde está a usina de Itaipu. Sem as chuvas intensas nesses locais, o sistema elétrico, baseado em hidrelétricas, corre perigo.

Segundo D’araújo, para afastar os riscos de racionamento é preciso, pelo menos, que os níveis dos reservatórios da região Sudeste dobrem, o que não será fácil.

Ainda de acordo com o especialista, fazendo contas lineares, os reservatórios do Sudeste são suficientes para segurar 10 dias do sistema. Lembrando que a conta foi realizada excluindo as demais fontes de energia e os próprios rios.

Cheios, os reservatórios garantem em média 5 meses de energia. “Essa conta é apenas para termos noção do tamanho do problema”, afirma.

Alguns, no entanto, estão em bom estado. Entre eles, São Simão, a maior usina da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), cujo nível está em 55,5%.

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