Calor e seca sobrecarregam sistema, e apagão pode voltar

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O que causou o apagão mais recente do país, que atingiu 13 Estados e 6 milhões de consumidores por ao menos 40 minutos? A pergunta que não cala desde anteontem só vai ser respondida pelo governo federal hoje, como prometeu o presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, que iria se reunir com outros representantes do setor elétrico para entender o que causou os curto-circuitos em duas linhas de transmissão.Apesar de não dar os motivos, o governo já negou que a falha tenha sido causada por falta de investimentos, pela falta atípica de chuva, que deixa os reservatórios a níveis baixos, ou mesmo pelo grande consumo de energia, com calor recorde.Apesar das negativas, especialistas em setor dizem que justamente esses três fatores sobrecarregaram o sistema elétrico. “E, quando as linhas operam no limite, qualquer perturbação pequena tem grande repercussão”, resume Walter Fróes, presidente da comercializadora de energia CMU. Entre as perturbações pequenas pode estar, por exemplo, queda de raio – hipótese levantada para o curto-circuito de anteontem.Dados do próprio ONS sustentam que houve sobrecarga: às 14h de terça-feira – a apenas três minutos do início do apagão, portanto –, a região Sul bateu recorde de demanda de carga de energia, atingindo 17.412 megawatts (MW). Na véspera, o subsistema Sudeste/Centro-Oeste também teve pico, de 50.854 MW, e todo o Sistema Integrado Nacional teve recorde de 84.331 MW. Em todo o mês de janeiro, o consumo de energia no país subiu 11,8% em relação a janeiro de 2013 e 7,2% ante dezembro.Além de estar calor demais – o que leva as pessoas a usarem mais ar-condicionado, ventilador e outros eletrodomésticos –, está chovendo de menos no Sul e Sudeste, o que força a transmissão de energia vinda do Norte, onde os reservatórios ainda estão cheios. “Em vez de haver ganho de nível nos reservatórios entre 31/12 e 31/1, houve perda”, diz o economista especializado em energia Mikio Kawai Jr, que é diretor executivo da Safira Energia.O sistema Sudeste/Centro-Oeste está com 39,58% da capacidade de armazenamento e não há previsão de chuva nas principais bacias pelos próximos dez dias. Assim, pode recuar para 38% no fim deste mês. E as térmicas que existem já estão ligadas. A tendência, portanto, é que o problema piore. “Vai ser recorrente, com este calor acima da média”, diz Kawai.O único jeito de evitar a repetição de apagões é planejar reservatórios maiores e construção de mais térmicas, diz Kawai. “Se alguma obra prevista para este ano não entrar em operação, a situação pode piorar”, diz o diretor da Thymos Energia, Ricardo Savoya. No entanto, usinas e linhas de transmissão que já deveriam entrar em operação estão atrasadas. 

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