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Suprimento de energia ao país está garantido até o fim do ano, garante governo

Autor:
Letícia Fucuchima / Valor

Segundo o secretário Christiano Vieira da Silva, o ONS sempre trabalha com o pior cenário operativo possível, por isso autoridades já se preparavam para uma situação desafiadora ao longo de 2021

O secretário de energia elétrica do Ministério de Minas e Energia (MME), Christiano Vieira da Silva, garantiu que as medidas já tomadas pelo governo são capazes de garantir o suprimento de energia até o fim do ano. Em evento do BTG Pactual, nesta terça-feira (14), ele disse que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) sempre trabalha com o pior cenário operativo possível. Por isso, as autoridades já se preparavam para enfrentar uma situação desafiadora ao longo de 2021.

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“Vimos lá atrás que o cenário ‘business as usual’ não seria adequado”, destacou. Entre as medidas, o secretário ressaltou a flexibilização de restrições hidráulicas. “Isso não acontece do dia para a noite; tivemos discussões muito fortes com o Ibama, com a Agência Nacional de Águas (ANA). Todo esse processo foi feito, mitigamos os possíveis danos de forma responsável”.

Segundo Silva, o governo estima que os reservatórios do Sudeste, a “caixa d’água” do país, vão chegar ao fim do ano em níveis bastante baixos, de cerca de 10%. No entanto, ele ponderou que, no passado, os principais reservatórios da região já foram operados a patamares inferiores, de menos de 3%. “Depois, com as chuvas, houve replecionamento”.

O secretário apontou ainda que as chuvas que estão ocorrendo agora no Sul do país são um “upside”, no cenário trabalhado pelo governo.

Planejamento para diluir participação das hidrelétricas na matriz

Além das medidas conjunturais relacionadas à crise hídrica, o governo já vem trabalhando em ações estruturais para permitir que o setor elétrico reduza sua dependência da geração hidrelétrica, indicou Christiano Vieira da Silva. Ele afirmou que o governo está revisitando o cálculo da garantia física das hidrelétricas – isto é, do parâmetro que mede o quanto essas usinas são capazes de contribuir para o atendimento da carga do sistema elétrico.

“Se aquele volume de água [da hidrelétrica] não está efetivamente disponível, preciso revisitar a garantia física. E isso significa, na prática, que precisamos contratar mais completação de outras fontes despacháveis – termelétrica, biomassa, nuclear, isso vai ter que compor nosso mix”, disse.

Além disso, o secretário lembrou que o planejamento setorial já indica maior presença das fontes renováveis, eólica e solar, e também de termelétricas na matriz em 2030. Fora o planejado atualmente pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o país deverá contar ainda com mais 8 gigawatts (GW) de empreendimentos termelétricos, como disposto na capitalização da Eletrobras. “Esses 8 GW ajudam a antecipar a diluição da participação hidrelétrica na matriz”.

Se não chover em 2022

O governo já trabalha com um cenário crítico de escassez de chuvas no próximo ano e, por isso, decidiu abrir contratação simplificada de geração adicional de energia, a fim de reforçar o atendimento em 2022. “Agora, somente esses recursos? Não. Vamos contar com todos os recursos existentes no nosso parque que normalmente não usaríamos durante o período úmido”, disse Vieira da Silva.

Ele destacou que a flexibilização das restrições hidráulicas, ponto crucial para que o país consiga atravessar a crise neste ano, foi resolvida. “Temos uma experiência importante em 2021, que vamos para 2022 levar de forma muito mais tempestiva e robusta. As discussões ambientais e de usos múltiplos da água já foram enfrentadas.”

Com relação ao despacho termelétrico, o secretário disse que não há preocupação quanto à disponibilidade das usinas. Segundo ele, o calendário de manutenções é organizado e acompanhado de perto pelo ONS, de forma que não há risco de uma parada generalizada.

Apesar do elevado nível de incertezas para 2022, Silva indicou que o governo está confortável com o trabalho já realizado neste ano. Questionado se o MME já tem outras cartas na manga para enfrentar a crise, ele sinalizou que, por ora, a pasta não prevê nenhuma medida adicional de enfrentamento da crise.

Também presente no evento, o presidente da consultoria PSR, Luiz Barroso, estimou que mais 7 gigawatts (GW) de oferta nova, não hídrica, entrarão em operação em 2022, o que tende a aliviar o sistema. “Nas nossas análises, se no ano civil de 2022 chover 70% da média histórica, vamos passar sem problemas.”

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