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Autor:
Marta Vieira , Estado de Minas

Como diz o ditado popular, se ‘agora, a Inês é morta’ para a Cemig, diante da perda de quatro de suas usinas, o momento é de se antecipar aos novos operadores, todos eles grandes grupos do setor com atuação em vários países. Fornecedores mineiros de peças, materiais e equipamentos para o setor elétrico articulam, por meio da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), um trabalho de aproximação dos novos investidores, o grupo Engie, de origem francesa, que arrematou as usinas de Jaguara e Miranda; a chinesa State Power Investment (SPIC), vencedora do leilão da hidrelétrica de São Simão e a Enel, italiana, que adquiriu a concessão de Volta Grande.

Trata-se de mero formalismo, segundo uma fonte próxima do governo do estado, o fato de a Cemig ter anunciado que vai manter a batalha jurídica com a União para reaver o controle das usinas. Não fosse isso, como explicar a pronta reação da diretoria da concessionária, que no dia seguinte ao certame reuniu empregados na sede para expor a situação delicada da companhia, a necessidade de enxugamento de pessoal e os desafios de futuro?

Artigo do presidente da empresa, Bernardo Salomão de Alvarenga, publicado domingo no EM, já fala em “nova fase” da Cemig, para explorar outras bases, a partir de um sistema de distribuição de energia considerado o maior da América Latina. Na Fiemg, com o lema “nós temos é de fazer negócios” o presidente da instituição, Olavo Machado Júnior, diz que passada a decepção com o resultado do leilão das hidrelétricas, a Fiemg se prepara para procurar os investidores que venceram a licitação de quinta-feira passada.

“São todas estatais internacionais, que, certamente, vão fazer as modificações para remodelar as usinas, que estão velhas, mas teremos garantia de fornecimento?”, indaga Machado Júnior. A preocupação, como admite, está no risco de desnacionalização. Outro problema é que talvez a indústria nacional não esteja preparada para participar dos projetos de modernização das hidrelétricas. O primeiro passo para assegurar a participação da indústria mineira e brasileira é apresentar o setor aos investidores e propor acordo.

Para Walter Fróes, diretor de CMU Energia, está na hora de a Cemig parar de chorar e tomar iniciativas de reinvenção da companhia, com foco na excelência profissional de suas equipes. “Nada impede que a Cemig proponha parceria, com o seu excelente know how, à companhia chinesa na operação de São Simão. É uma usina com grande potencial de expansão. Os outros dois investidores (Engie e Enel) são também grandes operadores já atuantes no Brasil”, afirma.

Outro campo imenso de oportunidades lembrado pelo especialista é o da minigeração distribuída. Trata-se de um senhor mercado em que os consumidores têm a liberdade de produzir a sua própria energia, independentemente da potência, e essa geração será conectada à rede de distribuição. A Engie é uma das empresas que criou uma empresa no Brasil só para atuar nessa área.

“Agora, é se reinventar para que a Cemig, mesmo perdendo quase metade da sua geração, volte a ser uma empresa naqueles parâmetros que ela estava acostumada a performar. Para isso, a empresa tem de focar nos seus quadros técnicos e não só ficar distribuindo cargos para políticos e chorando”, afirma Fróes. O resultado do leilão mostra, da mesma forma, que a companhia deve deixar de drenar esforços para articulações políticas que não saem do campo das promessas.

48,4%
Foi quanto cresceu a produção de peixes em Minas Gerais, estado considerado a caixa d’água do Brasil, no ano passado, segundo o IBGE. A produção somou 32,8 mil toneladas

Vibra em Dubai
Com frigorífico em Sete Lagoas, na Região Central de Minas Gerais, o grupo avícola Vibra, dono da marca de frangos Nat., abriu filial em Dubai em agosto. Os primeiros embarques devem ser feitos neste mês. O grupo exporta cerca de metade de sua produção para 42 países e usa a plataforma mineira, que emprega 1.125 trabalhadores, para suprir parte das vendas no mundo árabe.

Mais processos
Das medidas judiciais já impetradas pela Cemig nos últimos cinco anos, apesar desse longo tempo de tramitação, ainda está para ser votado o mérito das ações apresentadas no STF e no STJ. A companhia confirma que vai mover mais dois processos para pleitear indenização por investimentos feitos e ainda não amortizados e por recomposição de prejuízos em razão de rompimento unilateral dos contratos de concessão.

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