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Preços de energia não devem voltar aos níveis de 2021

Autor:
Emelyn Vasques / Diário do Comércio
Custo do megawatt-hora no mercado livre chegou a atingir R$ 538,88 no ano passado e atualmente está entre R$ 70 e R$ 80 | Crédito: Marcos Santos / USP Imagens

Os meses de fevereiro e março serão fundamentais para o mercado livre de energia. Isso porque as precipitações previstas para o período é que irão contribuir para a estabilidade dos preços a curto prazo desse modelo de compra e venda de energia. 

Apesar das chuvas intensas registradas em diversas regiões do País e em Minas Gerais nos primeiros dias de janeiro, são os volumes históricos de fevereiro que devem ditar o ritmo dos preços para o ano, conforme analisa o diretor da CMU Comercializadora de Energia, Walter Luiz de Oliveira Fróes. 

“Não dá para comemorar ainda, porque precisamos concretizar janeiro e esperar as chuvas de fevereiro e março. O que podemos dizer é que não teremos racionamento neste ano, assim como não tivemos em 2021. E, para adiantar, a expectativa é de termos preços mais baixos do que aqueles vistos em 2021”, afirma o diretor da CMU Comercializadora de Energia. Em relação aos preços registrados no ano passado, vale lembrar que nos meses de julho e agosto de 2021 o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) Horário chegou ao nível máximo praticado no mercado e ficou a R$ 583,88 por Megawatt-hora (MWh), em uma escalada de valores que teve início em abril e só começou a cair em setembro daquele ano. 

Preços atuais e tendências

Atualmente, o PLD em todo o País, com exceção da subdivisão Norte (R$ 55,70), está custando entre R$ 70,00 e R$ 80,00. Quando comparado com o valor mais alto de 2021, o diretor da CMU Comercializadora de Energia afirma que o preço “despencou”. E a tendência para os próximos três meses indica valores muito aquém do que os que tiveram predominância em 2021. Nesse sentido, as expectativas da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) é que o valor tenha o seguinte comportamento: o custo deve ficar em R$ 116,00 por MWh em janeiro (ao longo do mês), R$ 118,00 em fevereiro e R$ 105,00 em março. 

Contudo, conforme ressalta o presidente do Conselho de Administração da CCEE, Rui Altieri, o PLD é o preço que baliza apenas os contratos negociados no Mercado de Curto Prazo e consistem no preço de balizamento nas operações de liquidação de diferenças de balanço energético entre os agentes que operam na Ambiente de Contratação Livre (ACL). 

Em resumo, o painel de preços guia os valores que serão praticados por clientes que compraram mais energia do que o necessário e precisavam vender ou aqueles que tiveram consumo maior que o contrato fechado com a comercializadora, sendo que esses não são os preços da comercialização no mercado livre de energia durante o fechamento dos contratos.

 “Os contratos firmados no ambiente de contratação livre são bilaterais e a CCEE não tem acesso aos valores acordados. Em relação às chuvas dos últimos meses, certamente tornam o cenário hidrológico mais positivo do que o que atravessamos no primeiro semestre de 2021, por exemplo, e contribuíram para reduções significativas no PLD”, explica Altieri. 

O presidente do Conselho de Administração da CCEE lembra, ainda, que o volume de chuvas não é o único fator que impacta o preço. Além das condições climáticas, o cálculo feito pela CCEE e que dá origem ao PLD considera a demanda de energia, preços de combustível, o volume de produção das usinas hidrelétricas e a relação entre entrada de novos projetos e disponibilidade de geração e transmissão de energia.

Aprendizados do setor

Ainda no que diz respeito às projeções de mercado, o superintendente de Planejamento da Comercialização da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Marcus Vinícius de Castro Lobato, afirma que essas oscilações são possíveis, ainda que não seja uma expectativa predominante no mercado. 

Mais uma vez, os preços no mercado estão condicionados, principalmente, ao fator climático. Por esse motivo, o especialista lembra que os preços devem ser acompanhados constantemente, já que todas as informações sobre o Sistema Interligado Nacional (SIN) interferem na precificação da energia no mercado livre. 

“Há uma boa perspectiva de afluências para os reservatórios em função de uma perspectiva de um bom período chuvoso, mas ainda estamos com níveis baixos. Assim, teoricamente, é possível que haja altas nos preços de curto prazo se essas previsões de chuvas não se confirmarem. Porém, a expectativa do mercado, a partir das informações dos profissionais de meteorologia, é de que as chuvas devem continuar. Isso deverá levar os reservatórios a níveis mais confortáveis para a operação do sistema e, com isso, os preços de curto prazo ficarão bem menos pressionados e menos propensos às excursões extremas que tivemos em 2021”, afirma o superintendente da Cemig.

 Além disso, para Lobato, o período de grandes oscilações de preços são oportunidades de aprendizado e revisão de estratégias em um mercado que continua em expansão e que pode ser beneficiado pela redução de preços que se desenha no cenário atual — caso haja confirmação das chuvas previstas.

 “O mercado livre é um ambiente muito benéfico para os clientes comprarem energia: há liberdade de negociação de condições contratuais, de escolha de fornecedor, e os preços refletem as condições de um mercado competitivo. Porém, há os riscos dessas variações muito intensas no curto prazo, que vão atingir os agentes que optarem por não fechar suas posições com antecedência, tanto compradores quanto vendedores. Assim, após o mercado viver o estresse dessa experiência, creio que o que fica é a melhoria no planejamento das posições comerciais, com uma gestão mais adequada desse risco, através de tomadas de decisões mais conscientes”, analisa o superintendente da Cemig.

Eletrobras: capitalização deve ampliar investimentos

Rio – O presidente da Eletrobras, Rodrigo Limp Nascimento, disse ontem que um dos principais motivos para o processo de capitalização da companhia é ampliar a sua capacidade de investimentos.

Segundo o executivo, o planejamento estratégico da estatal prevê que, sem a privatização, a Eletrobras poderá investir cerca de R$ 95 bilhões até 2035. “No horizonte com a capitalização, esses investimentos chegavam na ordem de R$ 200 bilhões”, disse Nascimento, em audiência pública virtual sobre o processo de desestatização da Eletrobras promovida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Nascimento lembrou que a reestruturação da estatal desde 2016 compreendeu uma grande redução de custos, venda de ativos deficitários e renegociação de dívidas. “Hoje temos uma empresa equilibrada, com boa geração de caixa, que registra lucros constantemente, mas tem um ponto que essa reestruturação acabou não conseguindo reverter. Nesse sentido, é um dos principais motivadores para o processo de capitalização, que é a capacidade de investimentos do grupo Eletrobras”

Em 2014, os investimentos da Eletrobras alcançaram R$ 11,4 bilhões. Desde 2017, houve forte redução dos investimentos. Em 2020, chegou a R$ 3,1 bilhões. No ano passado, até o terceiro trimestre, foram R$ 2,5 bilhões.

“A gente entende que é muito aquém do que pode e deve investir a Eletrobras”, afirmou o executivo. “É um ponto fundamental, retomar a capacidade de investimento, voltar a ter capacidade de participar dos leilões, investir no mercado livre de energia”.

ENBPar – Na terça-feira (4), a Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional S.A. (ENBPar) foi ativada. Vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), a nova estatal viabilizará a privatização da Eletrobras.

A ENBPar vai assumir as atividades da Eletrobras que não podem ser privatizadas, como as empresas Itaipu Binacional e Eletronuclear (Usinas Angra 1, 2 e 3) e a gestão de políticas públicas.

As políticas públicas que ficarão a cargo da ENBPar são a universalização de energia elétrica (Luz Para Todos), Mais Luz para a Amazônia, contratos do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfra) e ações do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel).

A empresa também será responsável por bens da União sob administração da Eletrobras e contratos do Fundo Reserva Global de Reversão, assinados antes de 17 de novembro de 2016, que estavam sob a administração da Eletrobras (reversão, encampação, expansão e melhoria dos serviços públicos de energia elétrica). (ABr)

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