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Matriz elétrica ganha competitividade

Autor:
Roberto Rockmann / Valor

Fontes eólica e solar atraem fabricantes de equipamentos e já representam 12% da geração do país

O avanço de novas tecnologias na geração eólica e solar, mudanças regulatórias, ampliação do mercado livre e a agenda corporativa voltada à sustentabilidade são os principais fatores que têm levado ao acréscimo dessas duas fontes na matriz de geração de energia elétrica. Ambas representam 12% da eletricidade do país – em 2001, não chegavam a 1%. Hoje cerca de 20% da energia do Sudeste está sendo gerada por usinas eólicas localizadas no Nordeste, escoada por linhas de transmissão.

O caso de maior sucesso é o da eólica, que hoje é uma das três principais fontes do país e responde por pouco mais de 10% da geração. O primeiro passo para a fonte ganhar espaço se deu em 2009, quando se realizou um leilão exclusivo para contratação de usinas movidas pela força dos ventos. “Naquele momento se discutia se valia a pena fazer um leilão dedicado a ela, mesmo que não tivesse tanta competitividade”, diz Mauricio Tolmasquim, à época presidente da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE). O leilão contratou 71 empreendimentos com uma capacidade somada de 1.805,7 megawatts (MW) e investimentos de R$ 10 bilhões. Fabricantes de equipamentos vieram ao Brasil, atraídos pelo potencial de geração dos ventos alísios do Nordeste.

Os ventos brasileiros, com destaque para os do Nordeste, estão entre os mais fortes do mundo. O fator de competitividade das usinas, que em alguns meses e locais chega a 60% – dobro da média mundial, faz o Brasil deter os mais elevados indicadores desse tipo. Em paralelo, a força dos ventos se combinava às tecnologias mais avançadas. Em 2007, a altura média das torres era de 66 metros. Em 2010, estava perto de 90 metros. Quanto mais altas as torres, maior o potencial de geração de energia a partir das turbinas, o que aumenta a competitividade.

Hoje um dos vetores do crescimento é o mercado livre, em que as empresas podem selecionar a fonte que irá abastecer suas linhas de produção e atestar essa escolha com a aquisição de certificados de energia renovável. “O futuro da energia é livre e renovável e as empresas estão buscando energia eólica pela pauta ESG e para a descarbonização”, afirma Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira da Energia Eólica (Abeeólica).

Até 2024, os projetos em andamento farão a potência instalada subir dos atuais 18,6 GW para 29,1 GW, sendo que 60% desse acréscimo virão de empreendimentos voltados ao mercado livre. A adição poderá equivaler a cerca de 12.975.312 toneladas de dióxido de carbono evitados. Desde 2009, deixaram de ser emitidas mais de 125 milhões de toneladas de poluentes pela fonte.

O sol irá brilhar na matriz elétrica cada vez mais. Até 2012, o setor tinha apenas 7 MW instalados. Em agosto, superou a marca histórica de 10 mil MW em empreendimentos, sendo 65% de projetos de geração distribuída solar, que envolvem pequenos e médios sistemas instalados em telhados, fachadas e terreno. Já os parques centralizados respondem por 3,5 GW, 2% da matriz. “As perspectivas são promissoras, temos 40 fabricantes de equipamentos no país”, diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria Solar, Rodrigo Sauaia.

Os investimentos somam R$ 46,4 bilhões desde 2012. No período, foram gerados 264 mil empregos no setor, segundo a Absolar.

A matriz elétrica sofrerá uma transformação nessa década. Em 2021, 64% da capacidade provém de hidrelétricas e 11% a térmicas. Em 2030, a consultoria PSR estima que as hidrelétricas caiam para 52%, as térmicas mantenham sua posição, enquanto outras fontes pularão de 22% para 37%, salto liderado pelas usinas solares, centralizadas e com destaque às distribuídas. A solar deve atingir 46 GW em 2030, enquanto as eólicas deverão chegar a 25 GW.

O avanço da energia solar e eólica ajuda a destravar investimentos em outra fronteira: o hidrogênio verde. A tecnologia é vista como eficiente para ajudar a descarbonizar principalmente o setor de transporte. A partir do crescimento das fon “No médio prazo, o Brasil pode se tornar um player”, diz o presidente da PSR, Luiz Barroso.

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