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Distribuidoras de energia enfrentam cenário difícil

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O próximo ano deverá ser difícil para as distribuidoras de energia brasileiras. Assim como neste exercício, o primeiro semestre de 2015 deverá ser marcado por uma descontratação das empresas, dependência de aquisição do insumo no mercado de curto prazo e Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) alto, com impacto direto no bolso dos consumidores. Somente a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) já está com uma elevação de tarifa represada em 18%, a ser quantificada no reajuste marcado para abril, conforme os cálculos de especialistas.

Com o nível dos reservatórios em baixa, diante da escassez de chuvas no país, as distribuidoras têm duas saídas para o próximo ano. A primeira delas é esperar o ingresso de 4,2 gigawatts médios (GW med) de energia proveniente de cotas previstas para 2015. Esse volume de energia refere-se à capacidade de geração das usinas que foram incluídas na Medida Provisória 579. A determinação é que o consumo seja feito apenas no mercado cativo.

Porém, conforme ressalta o consultor da LPS Consultoria Energética, Fernando Umbria, entre o fim dos contratos atuais e a transformação do montante de energia em cotas, a expectativa é que as distribuidoras tenham acesso a estes recursos apenas no segundo semestre. Além disso, parte desse volume de energia está sendo disputado na Justiça, como é o caso da usina de Jaguara, hoje nas mãos da Cemig.

Indefinições – A segunda opção para as distribuidoras é o leilão A-1, previsto para ser realizado no fim do ano. Porém, segundo Umbria, o nível de contratação no certame não deverá ser alto em decorrência das indefinições para o período. Isso sem contar que, até o momento, a quantidade de projetos e a data do certame ainda são uma incógnita, o que aumenta o nível de dúvidas sobre o futuro do setor.

O futuro é uma incógnita também para a Cemig, que já sofreu impactos de estar descontratada neste ano, com alta nos gastos com compra de energia no mercado livre. “Sem pensarmos nos impactos do que ainda está por vir na tarifa da Cemig, ela já está com uma alta de 18% garantida. A tendência é aumentar ainda mais”, prevê o especialista.

Se forem levados em consideração apenas os cálculos pura e simplesmente, o reajuste mínimo da tarifa em Minas seria de 18%. Mas o candidato do PT ao governo do Estado, que lidera as pesquisas de intenção de votos, Fernando Pimentel, já sinalizou a intenção de fazer mudanças na Cemig. E uma das alterações seria justamente a redução forçada nas tarifas. Ou seja, a companhia não poderá acatar toda a alta autorizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que define todo ano um teto do reajuste.

“Uma medida como essa pode impactar muito fortemente a empresa. O que o governo federal fez no país, com empresas como a Eletrobras quase chegando à falência, poderá ser repetido em Minas Gerais”, alerta o diretor da CMU Energia, Walter Luiz de Oliveira Fróes.

Segundo o analista de energia da Lopes Filho, Alexandre Furtado Montes, a companhia teria o caixa fortemente afetado em caso de haver uma redução artificial de tarifas. Isso porque a próxima elevação de energia leva em conta muitos gastos já realizados. Sem reembolso, a empresa terá redução nos resultados financeiros. E como conseqüência, perda de valor de mercado. “O mercado demorou para se atentar para esse risco de alterações na Cemig. Mas é claro que, se os resultados forem piores, os investidores deixam de apostar na empresa”, afirma.

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