Solatio investirá R$ 1 bi em geração distribuída

A Solatio Energia Livre já tem 900 hectares de painéis solares, capazes de abastecer mais de 162 mil casas e pontos comerciais | Crédito: Divulgação

Dos R$ 21 bilhões a serem investidos até 2023 pela Solatio Energia Livre, joint venture entre a espanhola Solatio e a mineira CMU Comercializadora de Energia, em usinas fotovoltaicas no Estado, R$ 1 bilhão está sendo destinado à geração distribuída. Ao todo, serão construídos de 80 a 100 parques de 5 megawatts (MW) de potência cada, visando o atendimento a residências e pequenos estabelecimentos comerciais mineiros.

De acordo com o CEO da empresa, Walter Fróes, pelo menos R$ 150 milhões já foram investidos no segmento, desde o ano passado, para a implementação de seis usinas que já se encontram em operação. Outras 10 deverão iniciar os trabalhos até o fim de 2020.

“A previsão inicial era de que essas unidades geradoras entrassem em operação em fevereiro, mas por problemas na conexão, o processo foi iniciado em junho. Já são 7 mil clientes ativos, entre pessoas físicas e jurídicas, e a expectativa é encerrarmos o exercício com 100 mil consumidores atendidos”, revelou.

De acordo com o executivo, o projeto prevê, no mínimo, 80 mil clientes nos próximos meses na modalidade de geração distribuída. Mas o número possivelmente será extrapolado dado o potencial do setor e o nível de interesse das pessoas pelo serviço.

POTENCIAL ENERGÉTICO DA EMPRESA É DE 780.300 MWH/ANO

Fróes pelo menos R$ 150 mi já foram investidos no segmento | Crédito: Divulgação/Solatio

Com cerca de 900 hectares em painéis solares e um potencial energético de 780.300 MWh/ano, a Solatio tem projetada a capacidade para abastecer mais de 162 mil casas e pontos comerciais de pequeno porte, como açougues, padarias, mercadinhos, etc.

O atendimento é 100% digital e a adesão é feita por um sistema calcula a necessidade da sua casa, apartamento ou empresa e indicando a quantidade de kWh por mês a ser alocado pela empresa. Isso mediante um desconto de 15% na tarifa da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

“Além de não ter necessidade de obras, o consumidor tem adesão gratuita e se não utilizar 100% dos kWh contratados, o restante fica acumulado para usar nos próximos cinco anos”, argumentou o CEO da empresa, Walter Fróes.

Diversas cidades serão contempladas com a instalação das usinas, como Mirabela, Paracatu, Pirapora, Janaúba e Manga. E já há alguns projetos em curso, como as usinas de Uberlândia, São Sebastião do Paraíso, Patos de Minas, Três Corações e Varginha.

Os outros R$ 20 bilhões a serem aportados pela companhia serão destinados à construção de usinas de grande porte, para fornecimento de energia a distribuidoras e consumidores de alta tensão, como indústrias e shopping centers. O anúncio foi feito há um ano, pelo próprio governador Romeu Zema (Novo), por meio das redes sociais.

As fazendas solares somarão uma capacidade instalada de mais de 9 gigawats (GWp) no Estado. Na época, Zema disse que o investimento proporcionará a Minas Gerais maior abundância de energia e maior competitividade no setor.

Sobre estes projetos, Fróes citou a venda, no mês passado, de um complexo solar de 1,2 GWp por R$ 3 bilhões à Brookfield Energia Renovável. O empreendimento ocupa uma área de mais de 3 mil hectares no município de Janaúba, Norte do Estado e compreende 20 parques em fase final de desenvolvimento, cuja construção está prevista para iniciar ainda este ano. A conclusão está prevista para 2022 ou 2023.

FABRICANTE DE PÁS OBTÉM R$ 37,5 MI COM BNDES

A Aeris produz pás para empresas que fabricam turbinas eólicas, o que inclui clientes como Vestas, GE e Nordex | Crédito: Arquivo DC

São Paulo – A fabricante de pás para geração de energia eólica Aeris teve aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) um empréstimo de R$ 37,5 milhões, informou a instituição financeira ontem.

A operação foi anunciada pouco depois de a empresa ter registrado pedido para realização de uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), na última quinta-feira.

Os recursos vão apoiar principalmente a aquisição de materiais industrializados de origem nacional pela Aeris, para uso em sua unidade produtiva em Pecém, no Ceará, acrescentou o BNDES em nota.

O financiamento também ajudará a Aeris a cumprir contratos de venda de pás a clientes entre 2020 e 2022, segundo o banco, que disse que esses pedidos levarão a empresa a fechar 2020 com 4.570 funcionários, contra 3.627 em 2019.

Criada em 2010, a Aeris produz pás para empresas que fabricam turbinas eólicas, o que inclui clientes como Vestas, GE, Nordex e WEG.

A companhia contratou BTG Pactual, XP, Morgan Stanley, Santander Brasil, Citi e Safra para realização da oferta de ações, que visará permitir que 12 atuais acionistas pessoa física vendam fatias no negócio e a obtenção de recursos novos para o caixa. (Reuters)

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Brookfield investe mais de R$ 4 bilhões em parques solares

Aposta de fundo canadense inclui complexo fotovoltaico de 1 mil MW em Minas e
projetos no Ceará

A Brookfield tem uma aposta de longo prazo no Brasil. Foi assim na crise de 2014/2015 e está sendo agora”, diz André Flores — Foto: Divulgação

Em plena crise gerada pela pandemia de covid-19, o fundo canadense Brookfield está investindo de R$ 4 bilhões a R$ 4,5 bilhões em energia fotovoltaica no Brasil. Até 2023, a fonte solar deverá alcançar 1,5 mil megawatts (MW) de potência e praticamente igualar a capacidade instalada de outros ativos da Brookfield em energias renováveis no país – usinas eólicas ou de biomassa, hidrelétricas de maior porte e pequenas centrais (PCHs).


O movimento deu passos significativos nos últimos seis meses, período em que a pandemia afundou o nível de atividade econômica e derrubou as projeções de carga para o setor elétrico nos próximos anos, além de ter reduzido ao piso o valor da energia no mercado de curto prazo (spot).

Na semana passada, a Brookfield firmou contrato com a multinacional espanhola Solatio para aquisição de um complexo solar com cerca de 1 mil MW de potência em Janaúba, no norte de Minas Gerais. Com aportes de R$ 3 bilhões e obras com início previsto para o fim deste ano, será o maior parque fotovoltaico da América Latina quando estiver em pleno funcionamento, em meados de 2023 – a entrada em operação será gradual. Toda a energia irá para o mercado livre (grandes consumidores) e mais de 70% da produção já foi contratada, segundo André Flores, executivo responsável na Brookfield Asset Management por energias renováveis no Brasil.

“A gente entende que o mundo está passando por um período de enorme incerteza, mas a Brookfield tem uma aposta de longo prazo no Brasil. Foi assim na crise de 2014/2015 e está sendo assim agora”, afirma Flores. Segundo ele, não há uma meta ou limite de investimento pré-definido para a área de energias renováveis no país. “O nosso apetite depende muito mais de termos projetos de boa qualidade e com bom retorno ao acionista. Se você me perguntar por que acabaram sendo investimentos em solar, e não eólica, eu diria que foram as oportunidades mesmo.”


Flores avalia que hoje surgem poucas possibilidades de investimentos em usinas hidrelétricas e, paralelamente, as PCHs agregam menor capacidade instalada (têm até 30 MW). Todos esses ativos são agrupados na Brookfield Energia Renovável – um dos quatro braços do fundo no país.


Outra investida em energia solar é o complexo Alex, no Ceará, adquirido por R$ 1 bilhão em janeiro deste ano e com capacidade instalada de 278 MW. A geração foi negociada no ambiente de contratação regulada, em leilão organizado pelo governo federal em 2018, que atende às distribuidoras. Em obras, deverá iniciar o fornecimento em 2022.


A terceira aposta está prestes a ser anunciada, envolvendo o projeto Aratinga, também no Ceará e com entrega de energia a partir de 2023. Terá entre 150 MW e 200 MW. O investimento ficará em torno de R$ 400 milhões, segundo Flores, e a potência definitiva ainda depende da estruturação final do empreendimento. Toda a geração vai ser comercializada no mercado livre, mas nenhum contrato foi celebrado até agora.

Flores ainda vê espaço para o crescimento da fonte solar na matriz elétrica brasileira, por ter uma presença ainda modesta.. Mas garante que a desvalorização do real nos últimos meses não teve influência nas decisões de investimento, inclusive os projetos começaram a ser analisados no ano passado, antes das recentes rodadas de tombo no câmbio.


Já o espanhol Pedro Vaquer, presidente da Solatio e responsável por todo o desenvolvimento do projeto de 1 mil MW em Janaúba até a venda para a Brookfield, aponta a instabilidade cambial como um dos “inimigos cruciais” do Brasil para atrair investidores de fora. O outro, de acordo com ele, é o “jeitinho brasileiro”.

“Em um cartório, por exemplo, as coisas podem demorar um mês ou algumas horas. Tudo depende do jeitinho. E eu não preciso explicar a um brasileiro o que é jeitinho. É o principal gargalo para um estrangeiro entrar no país”, afirma Vaquer,em entrevista por videoconferência de Mallorca, nas Ilhas Baleares, onde tem passado a quarentena desde março. “Felizmente, nos níveis de governo em que atuamos, não enfrentamos isso. E preferimos perder projetos a ceder.”


A Solatio, que já estruturou projetos com 1.206 MW de potência no mercado regulado e agora se dedica à implementação de outros 11.854 MW no mercado livre, elogia a segurança jurídica e regulatória do sistema elétrico brasileiro. Vaquer avalia positivamente os esforços de “desburocratização” empreendidos pelo governo Jair Bolsonaro. “Sem nenhuma consideração política”, enfatiza.

Para o presidente da comercializadora CMU Energia, Walter Fróes, que assessorou a Solatio na transação com a Brookfield, o mercado livre tem “excelente” potencial de crescimento e tem atravessado a crise da pandemia com “níveis mínimos” de judicialização. Um segmento bastante promissor, segundo ele, são projetos de geração distribuída na modalidade remota – “condomínios” solares que geram fora dos grandes centros urbanos e levam a produção de energia para clientes empresariais.

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Solatio negocia complexo solar de 1,2 GWp com Brookfield

Empreendimento está localizado em Janaúba (MG) e prevê investimentos de R$ 3 bilhões para sua construção, valor da transação não foi revelado

A Brookfield Energia Renovável firmou contrato com a Solatio para aquisição do complexo solar com 20 parques em fase final de desenvolvimento, totalizando 1.200 MWp de potência instalada. O investimento total nesses ativos é estimado em R$ 3 bilhões. O ativo ocupa uma área de mais de 3.000 hectares no município de Janaúba, norte de Minas Gerais.

O empreendimento deverá gerar energia suficiente para abastecer cerca de 1,2 milhão de residências e sua construção está prevista para iniciar ainda em 2020. A conclusão está prevista para 2022 ou 2023. Segundo comunicado, a transação está sujeita a condições usuais de fechamento, e deve ser finalizada até o quarto trimestre deste ano.

Essa é a segunda aquisição de empreendimento solar dessa divisão da Brookfield somente neste ano no Brasil. A empresa estreou em janeiro no setor fotovoltaico com a compra de um complexo de 370 MWp, localizado no Ceará, e atualmente em construção.Após a finalização destas construções, a Brookfield atingirá uma capacidade instalada superior a 3 GW no Brasil, com ativos hídricos, eólicos, de biomassa e solares. A Solatio possui origem espanhola e está presente no país desde 2009, sendo pioneira no segmento fotovoltaico. Com essa transação, a Solatio totaliza mais de 4,6 GWp de projetos desenvolvidos e vendidos. A companhia ainda possui em seu portfólio 8 GWp em diferentes estágios de desenvolvimento.Foram assessores da Solatio na transação, o Banco BV, CERES Inteligência, CMU Energia e Vilas Boas Lopes Frattari Advogados.

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