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Setor elétrico financia seus projetos de várias formas

Autor:
Robson Rodrigues / Valor

Em 2021, a captação das empresas ficou acima de R$ 60 bilhões mais que o dobro do ano anterior, segundo dados da B3

Ativo energia cada vez mais vem atraindo interesses por parte de bancos, fundos de investimento e derivativos, afirma o presidente da BBCE, Carlos Ratto .

Para alcançar melhores condições de financiamento, o setor elétrico vem buscando novos meios de alavancagem para seus projetos de crescimento – novos ou expansões -, seja por meio de debêntures, fundos de investimento, certificados de recebíveis imobiliários, títulos externos ou por emissão de ações em aberturar de capital.

Segundo dados da B3, só em 2021, o setor de energia captou mais de R$ 60 bilhões no mercado de capitais por meio dos instrumentos de dívida, representando 16% do total emitido (R$ 363 bilhões). O setor é o segundo com maior número de empresas listadas, atrás apenas do setor financeiro, respondendo por 13% das 461 empresas com ações na bolsa.

O montante de recursos é quase o dobro do emitido pelo setor em 2020, de R$ 31 bilhões, porém muito abaixo do valor que alcançou em 2019, de R$ 111 bilhões. O gerente de Produtos de Balcão na B3, Leonardo Betanho, explica que em 2019 o mercado estava aquecido para emissão de dívida, mas no ano seguinte sofreu o impacto da pandemia. Em 2021 mostrou uma recuperação.

O executivo diz que houve uma expansão no volume de emissões do mercado de capitais como um todo em 2021. “No ano passado, o total das emissões distribuídas pela B3 atingiu R$ 363 bilhões, comparado com R$ 195 bilhões em 2020 e R$ 283 bilhões em 2019”.

Betanho acrescenta que, nos últimos anos, o mercado brasileiro tem sido bastante funcional para empresas que querem captar recursos por meio de seus IPOs ou ofertas subsequentes (FOs). Contudo, ele pondera que em momentos de maior incerteza, operações sejam interrompidas ou adiadas até que haja uma melhora nas condições de mercado.

Por outro lado, o atual contexto econômico tem feito algumas empresas seguirem em rota contrária, como a Focus Energia, que fechou capital e foi recentemente incorporada pela Eneva. No atual cenário de juros em elevação e pressão na cadeia de suprimentos, o custo de capital vem encarecendo os contratos assinados. Neste contexto, as debêntures surgem como alternativas aos tradicionais bancos de fomento.

A Engie recentemente obteve financiamento inédito de R$ 65 milhões para a Parceria Público-Privada (PPP) de Iluminação Pública de Uberlândia (MG) por meio de debêntures incentivadas de infraestrutura. A empresa prevê que a estrutura contratual permite deter um interesse do mercado para este tipo de projeto com um custo competitivo, já que os debenturistas têm incentivo fiscal.

A 2W Energia também acessou o mercado de capitais para emissão de uma debênture verde de longo prazo para um projeto “greenfield” (novo), sem ter vendido energia pelo mesmo prazo para cobertura da emissão.

“Preferimos acessar o mercado de capitais através da debênture em julho, no valor de R$ 475 milhões para estruturarmos o projeto eólico Anemus (138,6 MW), no Rio Grande do Norte, executá-lo, avançar em nosso plano de negócios, no qual hoje já temos 1.400 consultores de energia acessando o mercado B to B para médias empresas, vendendo o mercado livre e energia de nossa usina”, afirmou o CEO da companhia, Claudio Ribeiro.

No mesmo ano, a empresa elétrica acessou o mercado através de uma debênture conversível emitida pela 2W Energia no valor de R$ 400 milhões para a estruturação do projeto eólico Kairós (261 MW), no Ceará.

Segundo o presidente do Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE), Carlos Ratto, o ativo energia cada vez mais vem atraindo interesses por parte de bancos e fundos e o mercado de derivativos é um bom ambiente.

Em 2021, a BBCE negociou 207 mil gigawatts-hora (GWh), alta de 13% em relação ao ano anterior, em 66 mil operações, aumento de 13% na relação anual. “Apesar de um ano com a crise hídrica, além de uma crise de crédito com comercializadoras com problemas, o ano foi positivo com um volume de negociações histórico que reflete o amadurecimento do mercado”, afirma.

Ratto trabalha com a projeção do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) de aumento da demanda por energia de 2,4% em relação ao ano de 2021 e com isso o volume de negociações cresça na mesma proporção.

“Há várias pontes entre o setor elétrico e o setor financeiro. A possibilidade de financiamentos em moeda estrangeira. Outra ponte são os derivativos com a possibilidade do mercado financeiro entrar no mercado de energia sem necessariamente abrir uma comercializadora ou sem negociar energia física”.

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