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Eólica responde por 11% da capacidade instalada no país

Autor:
Dauro Veras / Valor

Os 713 parques abastecem o equivalente ao consumo mensal de 28,8 milhões de residências

Eduardo Ricotta, presidente da Vestas: 2021 está sendo o melhor ano para a empresa dinamarquesa no Brasil — Foto: Silvia Costanti/Valor

Em 2020, a energia gerada pelos ventos se tornou a segunda principal fonte da matriz elétrica brasileira, atrás apenas da hidrelétrica. Os 713 parques eólicos instalados hoje em 12 Estados abastecem o equivalente ao consumo mensal de 28,8 milhões de residências. São 19 Gigawatts (GW), que correspondem a 11,2% da capacidade instalada do país, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Um movimento recente nesse mercado tem sido a migração do ambiente de contratação regulada, intermediado pelo governo, para o de contratação livre.

“Devemos chegar a 19,5 GW no final deste ano, uma revolução em termos de investimentos e de capacidade instalada”, informa a diretora-presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum. Ela observa que a pandemia acelerou o avanço rumo à economia de baixo carbono, em função da entrada da ESG (sigla em inglês para governança ambiental, social e corporativa) na pauta estratégica das empresas.

Na última década, o setor eólico recebeu US$ 35,8 bilhões em aportes, conforme estudo da Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Investir nesta fonte renovável se tornou um bom negócio.

Um estudo do Ministério das Minas e Energia, em parceria com a agência de cooperação alemã GIZ, estima que até 2024 a capacidade instalada de energia eólica no Brasil vai duplicar e a de energia solar, aumentar sete vezes. “Ficou claro que o sistema brasileiro vai ter capacidade para acomodar essa expansão”, diz o superintendente adjunto da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Gustavo Pires da Ponte. “Os fiadores desse crescimento vão ser as hidrelétricas, que conseguem suprir a variabilidade das outras fontes, e o sistema de transmissão.”

A EPE estuda novas expansões da malha interligada, para assegurar conexão melhor entre a região Nordeste, principal produtora de energia eólica e solar, e o Sudeste, onde ocorre a maior carga.

A consultoria GO Associados calculou os efeitos multiplicadores dos investimentos para expansão do setor eólico entre 2011 e 2019. No período, eles geraram 498 mil empregos por ano e R$ 45,2 bilhões em massa salarial nas regiões Nordeste e Sul. Além disso, foram arrecadados R$ 22,4 bilhões em ICMS e IPI. O estudo estima que o pagamento anual médio de R$ 165,5 milhões no arrendamento de terras gera mais de 8 mil empregos, e a instalação de parques eólicos leva a um aumento médio de 20,2% no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M). Outros benefícios identificados são a redução no índice de desigualdade, a ampliação do acesso à água potável, a regularização fundiária e o aumento da proteção à fauna e flora.

A Casa dos Ventos é uma das empresas do setor que passaram a dar mais atenção ao mercado livre de energia. Nos seus contratos de longo prazo, os clientes têm a opção de comprar participação no empreendimento, tornando-se autoprodutores. “Nossa meta é chegar ao final de 2023 com 1,6 GW em projetos eólicos voltados para o mercado livre, mais 400 Megawatts em solares”, diz o diretor de novos negócios Lucas Araripe.

O complexo eólico Folha Larga (BA) entrou em operação em abril de 2020. Babilônia Sul (BA) e Rio do Vento (RN) começam a operar no segundo semestre deste ano. Quando estiver em plena carga, Rio do Vento será um dos maiores complexos eólicos do mundo, com 1.038 MW de capacidade instalada. Em janeiro a empresa firmou contrato com a companhia britânica BP para fornecimento de energia por 15 anos.

A Engie tem quatro conjuntos eólicos em operação no Brasil – um no Ceará e três na Bahia. Também está implantando o conjunto eólico Santo Agostinho (RN). A companhia recebeu autorização da Aneel para iniciar a operação comercial de Campo Largo II, que deve estar em plena capacidade no terceiro trimestre. “Até o momento, já foram adicionados 142,8 MW à nossa capacidade instalada, ultrapassando a marca de 1 GW se considerados todos os parques geradores eólicos em operação”, informa o diretor-presidente da Engie Brasil Energia, Eduardo Sattamini. Somados, os investimentos em Campo Largo II e Santo Agostinho chegam a R$ 3,8 bilhões.

A Total Eren tem cerca de 1 GW de projetos solares e eólicos em desenvolvimento no país.

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