Busca de tecnologia na corrida do gás

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A corrida pela exploração de gás não convencional (preso em rochas porosas) na Bacia do Rio São Francisco está prestes a começar. Na semana que vem, a primeira missão empresarial para conhecer a exploração de gás de xisto e fazer contatos com possíveis fornecedores dessa indústria para futuras parcerias no Brasil aterriza em Washington, nos Estados Unidos. A iniciativa é movida pela promessa da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) de realizar, em novembro, a 12ª rodada de blocos de exploração de petróleo, que dará prioridade a áreas de exploração de gás, convencional ou não, localizadas em terra. Em Minas, empresas do porte da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e Petra Energia já deixaram claro o interesse na exploração e produção do combustível, que vem provocando uma verdadeira revolução nos Estados Unidos.

A Petra Energia, líder na exploração de novas fronteiras terrestres no Brasil e pioneira na exploração de gás natural não convencional, já perfurou 26 poços exploratórios na Bacia do São Francisco. Os trabalhos estão em fase de pesquisa. Até agora, houve notificações de descobertas em 20 poços. “A empresa tem um quadro de especialistas que vem estudando as áreas ofertadas há muitos anos, e segundo as diversas avaliações realizadas, existem fortes razões geológicas que nos levam a acreditar no potencial dos blocos adquiridos”, disse a empresa em comunicado.

“Para a Cemig, é essencial ter um adicional de gás. A Petrobras não consegue atender a demanda. Temos que arranjar uma fonte alternativa. E a fonte que encontramos é o gás de xisto, que tem uma ocorrência muito grande na Bacia do São Francisco”, afirmou o diretor de Finanças e Relações com Investidores da estatal, Luiz Fernando Rolla. A companhia detém quatro blocos na área da Bacia do São Francisco com três sócios. “Encontramos indícios em dois blocos. Vamos acelerar a prospecção”, disse.

Geologia De acordo com Mônica Cordeiro, presidente do Instituto de Desenvolvimento Industrial (Indi) de Minas Gerais, os primeiros estudos realizados sobre a Bacia do São Francisco mostraram que a geologia da rocha (folhelho ou xisto argiloso) existente ali vai exigir técnicas de exploração usadas na extração de gás de xisto nos EUA. “A condição geológica é diferente no São Francisco, mas a experiência pode ser aproveitada porque é possível usar técnicas semelhantes”, diz. De acordo com a diretora-geral da Agência Nacional de Petróleo, Magda Chambriard, o leilão da ANP poderá contar com 240 blocos distribuídos numa área de 168 mil quilômetros quadrados. A aposta é que haja interesse da parte das empresas do segmento uma vez que 11 empresas já manifestaram interesse pela exploração do gás em terra.

Para Walter Fróes, diretor da CMU Energia e coordenador da missão no estado, o temor dos agentes do setor é de que os blocos sejam abocanhados pela Petrobras. Segundo ele, enquanto um milhão de BTUs (medida de potencial de calor) de gás de xisto custa US$ 3 na boca do poço nos Estados Unidos, a estatal do petróleo cobra US$ 18 pela mesma quantidade de gás natural. “A energia move o mundo e o interesse da Petrobras está concentrado no petróleo. O Brasil não pode ficar de fora dessa possibilidade econômica. A economia da Pensilvânia cresceu três vezes mais do que a média americana por causa da exploração desse gás”, sustenta.

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