Brookfield investe mais de R$ 4 bilhões em parques solares

Aposta de fundo canadense inclui complexo fotovoltaico de 1 mil MW em Minas e
projetos no Ceará

A Brookfield tem uma aposta de longo prazo no Brasil. Foi assim na crise de 2014/2015 e está sendo agora”, diz André Flores — Foto: Divulgação

Em plena crise gerada pela pandemia de covid-19, o fundo canadense Brookfield está investindo de R$ 4 bilhões a R$ 4,5 bilhões em energia fotovoltaica no Brasil. Até 2023, a fonte solar deverá alcançar 1,5 mil megawatts (MW) de potência e praticamente igualar a capacidade instalada de outros ativos da Brookfield em energias renováveis no país – usinas eólicas ou de biomassa, hidrelétricas de maior porte e pequenas centrais (PCHs).


O movimento deu passos significativos nos últimos seis meses, período em que a pandemia afundou o nível de atividade econômica e derrubou as projeções de carga para o setor elétrico nos próximos anos, além de ter reduzido ao piso o valor da energia no mercado de curto prazo (spot).

Na semana passada, a Brookfield firmou contrato com a multinacional espanhola Solatio para aquisição de um complexo solar com cerca de 1 mil MW de potência em Janaúba, no norte de Minas Gerais. Com aportes de R$ 3 bilhões e obras com início previsto para o fim deste ano, será o maior parque fotovoltaico da América Latina quando estiver em pleno funcionamento, em meados de 2023 – a entrada em operação será gradual. Toda a energia irá para o mercado livre (grandes consumidores) e mais de 70% da produção já foi contratada, segundo André Flores, executivo responsável na Brookfield Asset Management por energias renováveis no Brasil.

“A gente entende que o mundo está passando por um período de enorme incerteza, mas a Brookfield tem uma aposta de longo prazo no Brasil. Foi assim na crise de 2014/2015 e está sendo assim agora”, afirma Flores. Segundo ele, não há uma meta ou limite de investimento pré-definido para a área de energias renováveis no país. “O nosso apetite depende muito mais de termos projetos de boa qualidade e com bom retorno ao acionista. Se você me perguntar por que acabaram sendo investimentos em solar, e não eólica, eu diria que foram as oportunidades mesmo.”


Flores avalia que hoje surgem poucas possibilidades de investimentos em usinas hidrelétricas e, paralelamente, as PCHs agregam menor capacidade instalada (têm até 30 MW). Todos esses ativos são agrupados na Brookfield Energia Renovável – um dos quatro braços do fundo no país.


Outra investida em energia solar é o complexo Alex, no Ceará, adquirido por R$ 1 bilhão em janeiro deste ano e com capacidade instalada de 278 MW. A geração foi negociada no ambiente de contratação regulada, em leilão organizado pelo governo federal em 2018, que atende às distribuidoras. Em obras, deverá iniciar o fornecimento em 2022.


A terceira aposta está prestes a ser anunciada, envolvendo o projeto Aratinga, também no Ceará e com entrega de energia a partir de 2023. Terá entre 150 MW e 200 MW. O investimento ficará em torno de R$ 400 milhões, segundo Flores, e a potência definitiva ainda depende da estruturação final do empreendimento. Toda a geração vai ser comercializada no mercado livre, mas nenhum contrato foi celebrado até agora.

Flores ainda vê espaço para o crescimento da fonte solar na matriz elétrica brasileira, por ter uma presença ainda modesta.. Mas garante que a desvalorização do real nos últimos meses não teve influência nas decisões de investimento, inclusive os projetos começaram a ser analisados no ano passado, antes das recentes rodadas de tombo no câmbio.


Já o espanhol Pedro Vaquer, presidente da Solatio e responsável por todo o desenvolvimento do projeto de 1 mil MW em Janaúba até a venda para a Brookfield, aponta a instabilidade cambial como um dos “inimigos cruciais” do Brasil para atrair investidores de fora. O outro, de acordo com ele, é o “jeitinho brasileiro”.

“Em um cartório, por exemplo, as coisas podem demorar um mês ou algumas horas. Tudo depende do jeitinho. E eu não preciso explicar a um brasileiro o que é jeitinho. É o principal gargalo para um estrangeiro entrar no país”, afirma Vaquer,em entrevista por videoconferência de Mallorca, nas Ilhas Baleares, onde tem passado a quarentena desde março. “Felizmente, nos níveis de governo em que atuamos, não enfrentamos isso. E preferimos perder projetos a ceder.”


A Solatio, que já estruturou projetos com 1.206 MW de potência no mercado regulado e agora se dedica à implementação de outros 11.854 MW no mercado livre, elogia a segurança jurídica e regulatória do sistema elétrico brasileiro. Vaquer avalia positivamente os esforços de “desburocratização” empreendidos pelo governo Jair Bolsonaro. “Sem nenhuma consideração política”, enfatiza.

Para o presidente da comercializadora CMU Energia, Walter Fróes, que assessorou a Solatio na transação com a Brookfield, o mercado livre tem “excelente” potencial de crescimento e tem atravessado a crise da pandemia com “níveis mínimos” de judicialização. Um segmento bastante promissor, segundo ele, são projetos de geração distribuída na modalidade remota – “condomínios” solares que geram fora dos grandes centros urbanos e levam a produção de energia para clientes empresariais.

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Norte de Minas receberá um dos maiores parques de energia solar do mundo

Será instalado em Janaúba, no Norte de Minas, o maior complexo solar das Américas. O empreendimento também será considerado um dos maiores do mundo e deve começar a ser construído ainda neste ano, com previsão de término até 2023. Inicialmente, devem ser gerados 600 postos de emprego diretos, e o investimento é de R$ 3 bilhões.

A produção de energia deve ser suficiente para abastecer 1,2 milhão de residências. O contrato entre a Solatio, desenvolvedora de projetos Solares, e a Brookfield Energia Renovável acaba de ser firmado, segundo Walter Fróes, que é consultor da Solatio e presidente da CMU, empresa parceira.

“É um mega parque, com uma capacidade instalada da ordem de 1200 megawatts. Isso é energia para abastecer 1,2 milhão de residências, aproximadamente. A construção deverá ser iniciada no segundo semestre deste ano e a energia começará a ser entregue no segundo semestre de 2022, completando toda a potência da usina no primeiro semestre 2023”, explica.

“Ela será injetada na rede básica. Claro que uma condição que você consiga construir um parque desses é que tenha disponibilidade para injetar energia no local”, detalha.

“Eu gostaria de abordar ainda que a Solatio está fazendo investimento em geração distribuída, que é outra modalidade, em que pretendemos entregar energia com desconto da ordem de 15% para residências e também para pequenos comércios, clínicas, consultórios, etc. Esse trabalho já começou. A partir de julho começaremos a abrir nossos plantas e, dentro de 12 meses, teremos um total de 60, 70 plantas prontas coisa objetivo. Isso significaria um investimento de mais R$ 1 bilhão em Minas”, completa.

Ouça o  áudio do Jornal da Itatiaia abaixo:

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