O sistema elétrico brasileiro é interligado, por isso a baixa dos reservatórios de uma região impacta todo o conjunto

A represa da hidrelétrica de Furnas, que abrange 34 municípios de Minas Gerais Foto: AC Junior/FURNAS/divulgação
Mesmo com as chuvas de verão em Minas Gerais, o volume útil do reservatório de Furnas, isto é, a quantidade de água que pode ser efetivamente utilizada para geração de energia, turismo e outras atividades, está na faixa de atenção em um dos períodos mais turísticos da região do lago no Sul de Minas.
O nível encerrou a primeira semana de janeiro em 32,3% e vinha caindo desde setembro de 2025. Ele entra na faixa de atenção entre 20% e 50%, momento em que a água liberada pela usina é reduzida por determinação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) para que o nível não baixe mais ainda. Hoje, o volume do reservatório chega a 757,92 m acima do nível do mar, superior aos 750 m considerados mínimos para sua operação, mas abaixo dos 768 m classificados como normais.
Com isso, a geração de energia de Furnas cai. “Em atendimento a essas diretrizes, nesta segunda-feira (12/01/2026), a usina de Furnas está programada para gerar uma média de 416 MW, o que equivale a 34% de sua capacidade instalada de 1.216 MW”, detalha nota da Axia Energia, antiga Eletrobras, encaminhada à reportagem.
O sistema elétrico brasileiro é interligado, por isso a baixa dos reservatórios de uma região impacta todo o conjunto, explica o CEO da CMU Energia, Walter Fróes. “Na média, todos estão operando de forma bastante racional, se revezando para otimizar onde tem mais água. Janeiro é um dos meses em que mais chove no ano, mas não está chovendo nos locais onde a chuva é bem-vinda no setor elétrico. Não basta chover em qualquer lugar, mas sim na nascente dos rios”, analisa.
Em nota, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) afirmou que acompanha os níveis de armazenamento dos reservatórios das usinas hidroelétricas que integram o SIN e que espera uma elevação do nível do reservatório neste mês.
“No início do dia 12 de janeiro de 2026, o reservatório da Usina Hidroelétrica (UHE) Furnas apresentou armazenamento equivalente a aproximadamente 33% de seu respectivo volume útil. Com o aumento das chuvas que é esperado para os meses de janeiro, fevereiro e março, há expectativa de elevação desse nível”, afirma o ONS.
Em janeiro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) manteve a bandeira verde na conta de energia. Para Fróes, o cenário pode mudar em breve, caso não haja chuvas o bastante nas próximas semanas. “Fevereiro é nossa última expectativa de ter uma melhora acentuada, ou teremos um ano de energia bastante cara”, pontua.
Confira a nota da ONS na íntegra:
“O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mantém contínuo monitoramento das condições de atendimento eletroenergético do Sistema Interligado Nacional (SIN), o que inclui o acompanhamento dos níveis de armazenamento dos reservatórios das usinas hidroelétricas que integram o SIN.
O reservatório da UHE Furnas é operado pelo ONS considerando as regras estabelecidas pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) através da Resolução Nº 193/2024.
Cumpre ainda destacar que o ONS busca operar os reservatórios com os níveis adequados de armazenamento, de modo a garantir a manutenção do atendimento eletroenergético do Sistema Interligado Nacional (SIN).
No início do dia 12 de janeiro de 2026, o reservatório da Usina Hidroelétrica (UHE) Furnas apresentou armazenamento equivalente a aproximadamente 33% de seu respectivo volume útil. Com o aumento das chuvas que é esperado para os meses de janeiro, fevereiro e março, há expectativa de elevação desse nível.”