Paraguai na rota do investimento

Depois da mão de obra barata e da menor carga tributária e de encargos socais, o preço da energia elétrica no Brasil começa a pesar como fator de atração para que as empresas brasileiras promovam investimentos no Paraguai. Nem mesmo a redução da tarifa a partir de janeiro, por determinação da presidente Dilma Rousseff, deu conta de assegurar a competitividade das empresas eletrointensivas no país. Parte da ampliação da terceira maior produtora de ferroliga de manganês do Brasil, a mineira Granha Ligas, será feita no país vizinho em 2016, com investimentos de US$ 12 milhões e geração de 300 empregos. Outra empresa do mesmo grupo, a Sicbras, que produz carbeto de silício, vai investir
US$ 20 milhões numa fábrica que vai empregar 200 pessoas no Paraguai. Ambas são consumidoras do grupo A4 (13,8kV).

“A Sicbras firmou contrato de fornecimento de energia com a Administração Nacional de Eletricidade (Ande), companhia elétrica do Paraguai, por 12 anos”, informa Fernando Granha Nogueira, proprietário da empresa. A energia responde por 52% do custo total da fábrica. De acordo com ele, o custo de energia, a carga tributária e a defasagem cambial tornam praticamente inviável a instalação da planta no Brasil. A decisão de ir para o Paraguai foi tomada há dois anos e meio com o objetivo de ganhar presença no mundo. “Estávamos perdendo mercado e competitividade no Brasil e no exterior”, explica.

De acordo com Nogueira, depois da redução das tarifas de energia determinada pelo Planalto, que entre fevereiro e março promoveu redução média de 21% na conta de energia da Sicbras, uma das fábricas do grupo registrou 43% de alta no preço do insumo. “O preço da energia no Paraguai é de US$ 37 por megawatt, metade do cobrado no Brasil”, sustenta. Em dezembro de 2012, a Rio Tinto Alcan, subsidiária da anglo-australiana Rio Tinto, assinou protocolo de intenções com o governo do Paraguai para implantar um complexo de produção de alumínio. A previsão de investimentos é de US$ 4 bilhões.

Segundo Walter Fróes, diretor da CMU Comercializadora de Energia, o aumento médio no preço do insumo de março para abril foi de cerca de 20%, anulando os efeitos da Medida Provisória (MP) 579. Para ele, por trás do alto preço da energia elétrica no Brasil está a construção de usinas hidrelétricas sem reservatórios, que torna impossível estocar o insumo para os períodos secos. Com isso, as térmicas são acionadas e os preços sobem. De acordo com ele, principalmente para os consumidores A4 eletrointensivos que modulam energia – ou seja, não consomem no horário de ponta (das 17h às 21h) –, o preço subiu em média 20% entre o recuo de janeiro e a revisão tarifária da Cemig em abril. “A redução durou só dois meses. Com a revisão, o preço voltou a subir. Mas a concessionária está apenas repassando aos consumidores o seu aumento de custo. Hoje é balela falar de competitividade industrial no Brasil”.

VAREJO Além dos eletrointensivos, fazem parte do grupo A4 supermercados e shopping centers. No Cencosud, que comprou a rede de supermercados Bretas, a diminuição dos preços da tarifa de energia foi sentida em fevereiro e março, mas a partir de abril voltou a subir. “Em abril, houve alta de 20%, o que anulou o ganho com a retração de preços determinada pela presidente Dilma”, afirma João Botelho, engenheiro eletricista do grupo.