Redução vital da conta de luz

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Políticas para redução e uso racional de energia implementadas por grandes empresas vão além de medidas da gestão, incorporando inovações nas áreas operacionais, que constituem uma tendência, na avaliação de Walter Fróes, diretor-geral da empresa CMU Comercializadora de Energia, com sede em Belo Horizonte. A crise no setor elétrico, combinada à retração da produção industrial, chegou este ano ao ponto de levar consumidores industriais eletrointensivos a paralisar as atividades fabris e se aproveitarem da sobra de energia contratada como opção de receita no mercado livre, aquele em que o fornecedor é escolhido pelo próprio comprador.
“Trata-se de uma distorção. Cada megawatt médio economizado é vendido livremente pode proporcionar quase R$ 500 mil por mês de receita adicional”, alerta Walter Fróes, que tem defendido uma campanha de uso racional de energia. A estimativa foi feita com base no valor médio válido de R$ 740 por megawatt/hora do Preço de Lidiquição das Diferenças, referência para os consumidores que compram o insumo no mercado livre. Há casos de medidas de eficiência energética em diferentes setores da indústria, das mineradoras e produtores de aço aos fabricantes de alimentos, passando também pela construção civil.
O plano de eficiência energética do grupo siderúrgico Gerdau está sendo aplicado nas unidades do conglomerado no Brasil em busca de uma redução até o fim deste ano de 2,5% do consumo na sua produção de aço.A economia representará cerca de R$ 40 milhões, por meio de medidas adotadas desde 2012 com foco nos equipamentos auxiliares do processo produtivo de aço, responsáveis por 40% das necessidades de toda a operação da companhia.
No ano passado, a Gerdau economizou R$ 36 milhões, como resultado do projeto alinhado ao Plano Nacional de Eficiência Energética lançado pelo Ministério de Minas e Energia, que tem por fio condutor uma redução de 10% do consumo de energia no país até 2030. 
Para obter os resultados, a empresa envolveu empregados e organizações parceiras na realização de diagnósticos de economia de energia que levaram à definição de
1,3 mil ações, de acordo com a companhia. Projeto com as mesmas características vem sendo implementado nas unidades da Gerdau nos Estados Unidos. A empresa pretende expandir o programa para outras fábricas fora do Brasil, neste ano, começando pelo México e a Colômbia.
A busca de eficiência energética já se tornou parte da política vital para as empresas num cenário de dificuldades do país na geração de energia, que  deve se agravar, destaca o diretor da empresa de consultoria especializada Energy Choice, Eduardo Nery. “As empresas terão de pagar este ano uma conta no mínimo 10% mais cara. A
partir do ano que vem, a tarifa média deve subir 25% a 30%”, afirma.O preço médio da energia elétrica consumida na indústria varia de R$ 350 a R$ 450 por MWh dependendo da modulação. Se a opção for a energia solar, o custo tem variado de R$ 220 a R$ 260 por MWh e no mercado da energia eólica,contratos têm sido negociados a R$ 116 por MWh.
A fumaça gerada durante a carbonização do carvão vegetal em Martinho Campos, no Centro-Oeste de Minas Gerais, está se transformando em energia elétrica, numa experiência de cogeração conduzida pela ArcelorMittal Bioflorestas, braço do maior grupo siderúrgico do mundo, em parceira com a Companhia Energética de Minas
Gerais (Cemig).A entrada em operação da turbina elétrica com tecnologia italiana adquirida pelo ArcelorMittal é a primeira etapa de um projeto inédito da companhia, que nasceu do potencial de aproveitamento do calor gerado na queima de carvão, até então desperdiçado.
Recentemente, Juliana Marreco, doutora em planejamento energético e professora da Escola de Administração Ibmec, criticou o governo por não ter destinado recursos, até agora, a uma campanha de incentivo ao uso racional da energia. Ela defende medidas de premiação ao gasto eficiente de energia, a exemplo de descontos na conta de luz.
MAIS COMPETITIVAS
Depois da Companhia Brasileira de Metalurgia  e Mineração (CBMM), a mineradora Vale e a Votorantim Metais avaliam a possibilidade de instalar centros de pesquisa no câmpus Cetec do Centro de Inovação e Tecnologia Senai Fiemg, em Belo Horizonte. A intenção da Fiemg é investir R$ 300 milhões no empreendimento nos próximos quatro anos para modernizar os laboratórios da instituição, com foco no estímulo à competitividade da indústria. A instituição já abriga um centro de pesquisa da Embraer, que conta com 120 engenheiros e até dezembro do ano que vem terá 220 profissionais da área cuidando de pesquisa e desenvolvimento, além da Fundação Biominas, que abriga nove empresas de biotecnologia no local e conduz um projeto de ampliação que quase dobra a área atual

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