Mercado livre de energia vive recorde

Autor:
Gabriela Ruddy / Evernote

Após desaceleração no começo de 2020, segmento foi impulsionado pela busca por renováveis

1 de 1 Carlos Ratto, presidente da BBCE: “Em um semestre negociamos 20% do transacionado em nossos sistemas em anos” 

Carlos Ratto, presidente da BBCE: “Em um semestre negociamos 20% do transacionado em nossos sistemas em anos”

O mercado livre de energia elétrica, no qual os consumidores escolhem os fornecedores, viveu uma transformação na pandemia. Depois de uma desaceleração no começo de 2020, as companhias que fornecem serviços para a migração de clientes do mercado cativo para o ambiente de contratação livre (ACL) viram uma alta na demanda nos últimos meses.

A atenção à pauta ASG (ambiental, social e de governança) intensificou a busca de consumidores por fontes de energia limpa, o que favorece esse mercado. Com isso, o Balcão de Comercializadora de Energia Elétrica (BBCE), plataforma de negociação eletrônica de contratos de energia, registrou recorde de negociações no primeiro semestre deste ano.

De janeiro a junho de 2021, foram negociados pela BBCE 188.943 (gigawatts hora) GWh, alta de 35% em relação ao mesmo período de 2020, num volume financeiro de R$ 29,1 bilhões. “Em apenas um semestre negociamos 20% do que foi transacionado em nossos sistemas em nove anos”, disse o presidente da BBCE, Carlos Ratto.

Hoje, estão no ACL principalmente indústrias e grandes comércios. Dados da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) mostram que, no começo de 2021, 72% da capacidade de geração em construção no país era dedicada ao mercado livre, contra 34% em julho de 2019.

A expansão do setor vem principalmente das fontes solar e eólica. Um estudo da consultoria Clean Energy Latin America (Cela) mostrou que o volume de energia de projetos eólicos e solares contratado no ACL cresceu 2,6 vezes entre janeiro de 2020 e março de 2021.

Há receios, no entanto, que o aumento nos preços no mercado de curto prazo, o PLD, em meio à crise hídrica possa afetar o movimento de migração para o ACL.

Isso ocorre pois os preços vêm sofrendo acréscimos de encargos, com a necessidade de acionamento de usinas termelétricas durante a baixa na geração hidrelétrica.

“Quando o preço está muito elevado a migração tende a diminuir um pouco, pelo menos no curto prazo, mas o mercado livre continua competitivo e atrativo no longo prazo. Esse é um mercado bem dinâmico em termos de concorrência”, diz o vice-presidente de Estratégia e Comunicação da Abraceel, Alexandre Lopes.

A associação defende a total abertura do mercado, de modo a permitir que todos os consumidores possam migrar para o ACL. A carga mínima para que um consumidor entre no mercado livre de energia é de 2 megawatts (MW).

O volume mínimo vai cair para 500 quilowatts (kW) em janeiro de 2023. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ainda estuda a abertura abaixo desse patamar.

Segundo Lopes, a abertura total não depende de mudança na legislação e pode ser feita por uma portaria. O tema entrou em discussão no Congresso nas últimas semanas, com a inclusão da previsão de abertura total do mercado a partir de 2026 no texto da Medida Provisória da capitalização da Eletrobras. O assunto acabou ficando de fora do texto final.

De acordo com o secretário de Assuntos Regulatórios do Instituto Nacional de Energia Limpa (INEL), Lucas Pimentel, antes da abertura total, há questões regulatórias a serem definidas, como a tarifa para consumidores menores.

Hoje, clientes do mercado livre usam a tarifa binômia, que tem uma parcela fixa e outra proporcional ao consumo, enquanto os consumidores do mercado regulado têm tarifa monômia, que considera apenas o volume de energia consumido. “O Brasil vai abrir o mercado, estamos atrasados em relação a outras regiões, como a Europa. Mas precisamos discutir como isso será feito”, diz Pimentel.

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