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Capitalização deve fortalecer capacidade da Eletrobras de investir

Autor:
Valor

Com mais dinheiro em caixa, companhia ficará apta para concorrer em leilões e aproveitar oportunidades de crescimento

A oferta de ações da Eletrobras pode salvar um semestre considerado fraco para o mercado de capitais. Com uma demanda da ordem de R$ 60 bilhões, conforme mostrou o Valor, a capitalização ficou em torno de R$ 34 bilhões e pode significar, às vésperas do aniversário da estatal, a volta da capacidade de investimento da companhia, o que reforça os argumentos daqueles que defendem a privatização da maior empresa do setor de energia do país.

Idealizada em 1954 pelo então presidente Getúlio Vargas, a Eletrobras saiu do papel apenas em 1961, no governo de Jânio Quadros, que autorizou a União a constituir a estatal. No ano seguinte, exatamente em 11 de junho de 1962, ocorreu a instalação oficial da companhia, na gestão de João Goulart.

O objetivo principal da criação da Eletrobras era assegurar a participação do Estado como indutor dos investimentos para reduzir déficits de energia. Entre o ato de Vargas – um dos últimos do segundo mandato como presidente – e o desfecho na gestão Goulart, a constituição da Eletrobras enfrentou grande resistência no Congresso Nacional, assim como aconteceu agora, na discussão sobre a privatização da companhia.

Sessenta anos depois, o que se verifica é que o país continua precisando de dinheiro para a expansão da oferta de energia, mas em contexto diferente. No entanto, até um passado recente, a Eletrobras era a “noiva com quem todos queriam casar”, como se dizia no setor elétrico. A colocação, embora seja politicamente incorreta nos dias de hoje, expressa claramente o que significava a estatal: a garantidora da realização dos investimentos.

Não é necessário ir longe: o imbróglio recente envolvendo Furnas e os sócios na hidrelétrica de Santo Antônio é um exemplo do que acontecia no passado. O país era considerado mais arriscado para investimentos de longo prazo, caso de projetos de geração e transmissão de energia. Daí, o mais comum era que empreendedores privados buscassem associação com subsidiárias da Eletrobras para projetos a serem disputados nos leilões. Afinal, ter uma estatal como sócia era garantia de financiamento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Só que o país mudou, o setor elétrico ganhou novos contornos, e novas formas de financiamento surgiram no horizonte. Depois de entrar em projetos estruturantes, como Santo Antônio, Jirau e Belo Monte, a Eletrobras foi ficando alavancada em excesso. O golpe de misericórdia veio com a MP 579, medida com a qual a então presidente Dilma Rousseff buscou baixar tarifas, a partir de uma forte redução nas receitas de geração e transmissão da companhia.

Com menos caixa e mais dívida, a privatização passou a ser vista por muitos como única saída para sanear a empresa.

O modelo adotado para a privatização, por meio de um aumento de capital em que a Eletrobras emite novas ações em uma oferta primária, com a União renunciando ao direito de subscrição dos novos papéis – e, por consequência, sendo diluída -, é diferente do que se costumava ver no passado, com leilão da participação majoritária a grupos interessados.

A modelagem, talvez, possa ter embaçado o propósito da iniciativa: retomar o papel investidor da companhia. Com mais dinheiro em caixa, sem as amarras da Lei de Licitações, e com mais flexibilidade, a empresa ganha fôlego para correr atrás do protagonismo perdido.

Ela ainda é a maior empresa de energia do país, com 50.491 megawatts (MW) de capacidade instalada, correspondente a 28% do parque gerador brasileiro. Na transmissão, a empresa tem 73.779 quilômetros de extensão, quase 40% do total nacional.

Só que a geração dela é basicamente hidrelétrica, hoje uma fonte impossível de crescer. Além disso, a transmissão é um segmento altamente concorrido. Ainda existem inúmeras oportunidades nos mercados de energia eólica e solar, há tecnologias incipientes em estudo e o mercado livre (onde o consumidor pode escolher seu próprio fornecedor de energia) está em vias de crescer.

Um cenário como o atual vai demandar agilidade e dinheiro na mão, o que a Eletrobras precisa ter. Inclusive para fazer aquisições, aproveitando-se de oportunidades – como várias que ocorreram neste ano – até mesmo no exterior. Muitos países têm suas “corporations”, ex-estatais que atuam fortemente no mundo, e introduzir a Eletrobras nesse grupo, com a alta capacidade de investimentos que é esperada depois da capitalização, pode ser a resposta para o motivo principal da operação.

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