Marco da GD traria ganhos líquidos de R$ 50 bi ao sistema elétrico

Valor é o resultado entre os custos e benefícios que a geração distribuída traria ao país com a aprovação do PL que tramita na Câmara dos Deputados

O benefício líquido que o PL 5829/2019 que estabelece o marco de geração distribuída no país é de R$ 50 bilhões até 2035. Esse é o cálculo apresentado durante uma entrevista coletiva concedida para defender o projeto de lei que está em tramitação na Câmara dos Deputados e que é considerado o meio para obter equilíbrio quanto à revisão das regras para esta modalidade no país.

O encontro realizado virtualmente contou com a presença de quatro entidades setoriais ligadas ao tema, a ABGD, Absolar, Abiogás e AbraPCH. Além do Instituto Nacional de Energia Limpa (INEL), bem como do assessor técnico do PL, Ricardo Costa, e da Associação Baiana de Energia Solar (ABS).

De acordo com as entidades, a proposta em tramitação traz o que consideram a alocação justa de custos da rede, considerando os benefícios que superam os custos, revertendo em ganhos para o sistema elétrico. Nesse cálculo, afirmam, os custos com o pagando das despesas com a rede já estão incluídos. Os R$ 50 bilhões referem-se ao saldo decorrente do custo da rede e a redução de energia mais cara gerada e que vai para a conta do consumidor.

Tássio Barbosa, da ABS, comentou que entre os benefícios que a GD traria ao país está a manutenção de água nos reservatórios – permitindo seus usos múltiplos -, a redução das perdas elétricas e redução do acionamento das bandeiras tarifárias por haver menor nível de despacho de usinas mais caras. “Só as perdas elétricas no país representam praticamente todo o consumo da classe comercial”, comparou ele.

A crítica direta é feita para a polêmica NT 030 da Aneel datada de 30 de março e que atende à recomendação do Tribunal de Contas da União, de adotar a alternativo 5 para a revisão da REN 482. Na análise apresentada, o documento da Aneel não considera os impactos positivos da GD, o que incorreria em um erro de conceito.

Barbosa destaca que o impacto na CDE que a GD teria é de apenas 5% do valor global do encargo. Isso, continua, daria menos de um centavo por kwh que seria acrescido na conta do consumidor.

Ricardo Costa, assessor técnico do PL, destacou por sua vez que esse valor líquido é do benefício da GD considerando o pagamento da rede de distribuição. Ou seja, o alegado subsídio cruzado não chegaria à conta dos consumidores uma vez que o PL prevê o pagamento da parcela TUSD-fio B de imediato e 40% da TUSD fio A, que é a parcela associada da transmissão. Segundo ele, a remuneração da distribuidora estaria garantida. Essas alterações foram introduzidas no PL conforme comentou a diretoria jurídica da ABGD em entrevista à Agência CanalEnergia.

“No final do dia, considerando custos e benefícios da GD o saldo é positivo. No acumulado do período é de R$ 85 bilhões, que trazidos a valor presente é de R$ 50 bilhões”, afirmou.

A coletiva foi marcada por críticas ao estudo que a PSR apresentou mais cedo sobre o mesmo tema e que apontou uma perda de R$ 135 bilhões em subsídios até 2050.

Recurso

A ABGD informou mais cedo que entrou com pedido de liminar contra o Acórdão entre a Aneel e o TCU que tratada da revisão da REN 482. Segundo o presidente da associação, Carlos Cavalcante, a alegação é de que o tribunal não poderia atual com a recomendação ou indicação de caráter de regulação. Essa não é a competência do TCU.

O ministro sorteado para o recurso foi Ricardo Lewandowski que se conceder a liminar deverá levar o caso ao plenário do STF. Evangelista comentou que não é favorável à judicialização do setor, mas que o caso é de convicção que o tema precisa ser reavaliado.

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Absolar vê economia de até R$ 17,5 mi com doação de crédito de miniGD

Projeto de lei inédito aprovado na Câmara dos Deputados prevê auxílio voluntário de usuários de geração distribuída.

No último dia 31 foi aprovado pela Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 2.474/2020, que prevê a doação de créditos de energia elétrica da geração distribuída às instituições que atuam diretamente no combate à Covid-19. A iniciativa de autoria dos deputados federais Franco Cartafina e Lucas Redecker e com apoio técnico da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), é considerado um avanço que poderá aliviar os custos com energia elétrica de hospitais e centros médicos durante a pandemia. A matéria segue para apreciação do Senado Federal.

Segundo dados da Absolar, o Brasil possui 5 GW de potência instalada na geração distribuída, com uma geração média de 625 GWh/mês. De acordo com estimativas da Associação, com a doação de apenas 1% desse total, seria possível proporcionar uma economia na conta de luz das instituições beneficiadas em torno de R$ 3,5 milhões ao mês. No caso da adesão viabilizar a transferência de 5% da geração na forma de créditos de energia, a economia atingiria a marca de R$17,48 milhões por mês. O cálculo considerou a tarifa média de energia elétrica do Brasil, de R$ 0,578 por quilowatt hora.

Ainda de acordo com a Absolar, os usuários da geração distribuída solar fotovoltaica e demais fontes renováveis poderão doar, voluntariamente, seus créditos de energia aos serviços públicos essenciais voltados ao combate direto à Covid-19. O texto aprovado contou com uma emenda do deputado federal Paulo Ganime, que estende o prazo de autorização de doação para até 12 meses após o término da pandemia.

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Mercado livre cresce e lidera expansão da geração no país

Estudo da Abraceel mostra que efeitos da pandemia fizeram ACL subir e demandar 72% do futuro parque gerador até 2025, com investimentos estimados em R$ 100 bilhões.

Com as mudanças e transformações provocadas ou aceleradas pela pandemia, o mercado livre tornou-se o carro-chefe da expansão do setor de geração de energia elétrica no Brasil, respondendo atualmente por 72% do parque gerador em construção no país, que deverá chegar a 34,5 GWh até 2025. Essa é a principal conclusão de um estudo de expansão da oferta realizado pela Abraceel, referente ao mês de fevereiro desse ano.

Na comparação com julho de 2019, o ACL teve um crescimento 38% nos empreendimentos em fase de implementação, saindo de uma prospecção de R$ 33 bilhões em investimentos para R$ 100 bilhões num horizonte de cinco anos, dentro de um espectro geral de R$ 142 bilhões, envolvendo o mercado regulado.

Do montante previsto, 66% são destinados exclusivamente ao ACL, com outros 6% correspondendo a parcela livre das usinas que também venderam energia no ambiente, com ambos tendo a predominância de renováveis, a partir de uma ampliação de 92% para a fonte solar, 88% em biomassa, 72% em eólicas e 62% entre CGHs e PCHs.

O estudo aponta três fatores principais para a expansão: o brusco choque no consumo, que forçou suspensão dos leilões regulados; maior competitividade do ACL, que se consolidou como solução para consumidores e geradores; além de um aumento expressivo da migração e da confiança dos agentes no mercado.

As fontes solar e eólica lideram a ampliação da oferta com 76% da geração em construção, a maioria concentrando-se no ano de 2022. Dentro dos ativos previstos para entrar em 2023, o mercado livre deverá chegar a sua maior representação, com 89% da nova energia sendo destinada ao ambiente de contratação.

Uma pesquisa exclusiva do BNDES mostra que 47% dos projetos eólicos e solares financiados pelo banco até 2020 são suportados por comercializadoras. Já no BNB a taxa é de 33%, com R$ 87,9 bilhões de crédito concedido entre 2018 a 2020.

Ao final do seu estudo, a Abraceel aponta que a nova realidade do setor elétrico brasileiro exige a modernização do arcabouço legal e regulatório, elencando a melhoria de governança para formação de preços, fim dos subsídios, possibilidade de venda de excedentes em GD, fim dos legados e custos de confiabilidade rateados entre todos, formando um mercado de capacidade, isonomia para acesso à conexão, com garantias e prazo de estabilização da TUST, além de acelerar a abertura do mercado.

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GD solar chega a 5 GW no Brasil

Número de Centrais Geradoras passa de 400 mil e país pode ser um dos três maiores mercados do mundo

O mercado de energias renováveis distribuída continua seu crescimento no Brasil. No ano passado, em junho, o país alcançou a marca de 3 GW de potência instalada de geração de energia solar e em novembro, 4 GW. Agora, menos de um ano depois, chegou a 5 GW de energia distribuída gerada pelos consumidores a partir do sol. A quantidade de centrais geradoras de energia fotovoltaicas de GD ultrapassa 400 mil. Para a Associação Brasileira de Geração Distribuída, conquistar essa meta demonstra a força do setor.

Os números representam não só o crescimento do mercado de energia solar, mas também o impulsionamento do segmento. Para o presidente da ABGD, Carlos Evangelista, a energia solar é a principal fonte no quesito empoderamento do consumidor, pela sua versatilidade e adaptabilidade. De acordo com ele, o sol é abundante de Norte a Sul do País. Além disso, os painéis solares podem ser instalados em vários locais como terrenos, telhados, galpões e até em paredes verticais, e de forma modular, nos mais diversos tamanhos e configurações. Para ele, e uma tecnologia que tem levado empregos, sustentabilidade, economia nos custos da energia e desenvolvimento a todo o Brasil.

O Brasil, inclusive, poderá se tornar neste ano um dos três maiores mercados da GD com energia solar do mundo. A previsão é que em 2021, mesmo sob a pandemia, a GD deverá gerar mais de 150 mil empregos, arrecadar mais de R$ 4 bilhões em impostos além de trazer para o país por volta de R$ 15 bilhões em investimentos diretos.

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Governo de Minas autoriza mais duas empresas a comercializarem gás canalizado no âmbito do mercado livre

Empreendedores já se movimentam para se tornarem comercializadores livres

ais duas empresas foram autorizadas, no último mês, pelo Governo de Minas a comercializarem gás canalizado no estado. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sede) concedeu liberação para que a Gascom Comercializadora de Gás Ltda. e a Gás Bridge Comercializadora S/A pudessem vender gás natural canalizado, no âmbito do mercado livre.

Criado em 2013 através das Resoluções Sede nº 17 e nº 18, o Mercado Livre de Gás mineiro entrou em vigor em 2014, representando um avanço regulatório importante diante de um setor econômico com potencial de crescimento para os próximos anos, de acordo com o novo marco legal do gás, atualmente em tramitação no Congresso Nacional.

Segundo o diretor de Energia da Sede, Pedro Oliveira, para se tornar comercializador de gás natural em Minas Gerais, o interessado deverá cumprir com todas as disposições contidas na Resolução SEDE nº 18/2013, que se encontra disponibilizada no site da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais. “Temos, hoje, três empresas autorizadas a comercializar gás natural em Minas Gerais e já recebemos a quarta solicitação na semana passada”, afirma. A autorização é concedida após uma análise de documentação e trâmites jurídicos.

A distribuição de gás natural canalizado

Nos estados brasileiros, a distribuição de gás natural canalizado se dá por meio de concessão. Em Minas Gerais, a Gasmig –  Companhia de Gás de Minas Gerais tem a concessão para distribuir gás natural. Em outras palavras, o que temos é um monopólio natural, ou seja, a Gasmig é o único player nesse mercado.

Com o mercado livre, algo semelhante ao que acontece na energia elétrica acorrerá com o gás natural. Mais empresas poderão se tornar comercializadoras de gás. Elas poderão comprar o produto natural em outras partes do Brasil e vender aqui em Minas Gerais, por exemplo. Então, em tese, o monopólio natural começa a ser quebrado e mais players, além da Gasmig, passam a oferecer o gás. De certa forma, estimula-se a concorrência.

“Mas para isso acontecer, o novo marco legal do gás precisa ser aprovado no Congresso Nacional. Apesar disso, em nível estadual, nada impede que nós criemos as regulamentações específicas para regular o mercado livre em Minas Gerais”, explica o diretor de Energia da Sede, Pedro Oliveira.

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Fonte solar ultrapassa marca dos 8 GW, aponta Absolar

Levantamento indica que geração centralizada possui 3,1 GW de potência, enquanto a modalidade distribuída está com 4,9 GW

Novo levantamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica aponta que o Brasil acaba de ultrapassar a marca histórica de 8 GW de potência operacional da fonte solar fotovoltaica, em usinas de grande porte e pequenos e médios sistemas instalados em telhados, fachadas e terrenos. Desde 2012, a fonte já trouxe mais de R$ 40 bilhões em novos investimentos ao país e gerou mais de 240 mil empregos acumulados.

No segmento de geração centralizada, o Brasil possui 3,1 GW de potência instalada em usinas solares fotovoltaicas, o equivalente a 1,7% da matriz elétrica do País. Em 2019, a fonte foi a mais competitiva entre as fontes renováveis nos dois Leilões de Energia Nova, A-4 e A-6, com preços-médios abaixo dos US$ 21/MWh.

Atualmente, as usinas solares de grande porte são a sétima maior fonte de geração do Brasil, com empreendimentos em operação em nove estados brasileiros, nas regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste. Os investimentos acumulados deste segmento ultrapassam os R$ 16 bilhões.

No segmento de geração distribuída, são 4,9 GW, que representam mais de R$ 24 bilhões em investimentos acumulados desde 2012, espalhados pelas cinco regiões do Brasil. A tecnologia solar é utilizada atualmente em 99,9% de todas as conexões distribuídas no país, liderando com folga o segmento.

Em número de sistemas instalados, os consumidores residenciais estão no topo da lista, representando 73,6% do total. Em seguida, aparecem as empresas dos setores de comércio e serviços (16,6%), consumidores rurais (7,0%), indústrias (2,4%), poder público (0,4%) e outros tipos, como serviços públicos (0,03%) e iluminação pública (0,01%). Em potência instalada, os consumidores residenciais lideram o uso da energia solar fotovoltaica, com 38,9% da potência instalada no país, seguidos de perto por consumidores dos setores de comércio e serviços (37,8%), consumidores rurais (13,2%), indústrias (8,8%), poder público (1,2%) e outros tipos, como serviços públicos (0,1%) e iluminação pública (0,02%).

Segundo o CEO da Absolar, Rodrigo Sauaia, a energia solar terá função cada vez mais estratégica para o atingimento das metas de desenvolvimento econômico do País, sobretudo agora para ajudar na recuperação sustentável da economia, já que se trata da fonte renovável que mais gera emprego e renda no mundo. De acordo com ele, a energia solar fotovoltaica reduz o custo de energia elétrica da população, aumenta a competitividade das empresas e desafoga o orçamento do poder público, beneficiando pequenos, médios e grandes consumidores do País.

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GD alcança 400 mil conexões no Brasil

De acordo com ABGD, consumidores estão mais conscientes e atentos a sustentabilidade, embora modalidade ainda precise esclarecer mitos

O Brasil acaba de atingir a marca de 400 mil conexões de sistemas de geração distribuída e quase 5 GW de potência instalada. Para o presidente da ABGD, Carlos Evangelista, a marca deixa claro que os consumidores estão cada vez conscientes, em busca de novas alternativas para a redução de custos e atentos aos princípios da sustentabilidade. De acordo com ele, o perfil dos consumidores no Brasil tem mudado, o que quer dizer que a procura por alternativas energéticas tem sido discutida por muitos e colocada em prática com consciência.

Segundo Evangelista, ainda há alguns mitos sobre a GD que precisa ser esclarecidos. Ele conta que um deles é de que ela só pode ser feita por grandes empresários ou consumidores com maior poder aquisitivo. Há projetos de todos os tamanhos, com custos menores ou maiores e com fontes diversificadas.

A geração distribuída é considerada um caminho para a recuperação econômica do país após os impactos da pandemia da covid-19. Além de gerar economia aos consumidores, ela também potencializa o aproveitamento dos recursos locais e estimula a economia, gera empregos qualificados e contribui para o desenvolvimento sustentável do País. A projeção de crescimento da modalidade para este ano é superior a 50%, segundo a ABGD: o segmento de GD deve encerrar 2021 com potência instalada superior a 7GW.

Atualmente, contamos com mais de 510 mil “prosumidores”, pessoas e empresas de todas as classes sociais e perfis de consumo, que contribuem para o desenvolvimento do mercado e para a diversificação da matriz elétrica brasileira e, consequentemente, colaboram para a redução de incidência das bandeiras tarifárias. Quanto mais energia proveniente de GD é injetada na rede, em tese, menos água dos reservatórios precisa ser utilizada para abastecer o sistema elétrico.

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Novo parque solar terá R$ 1,6 bi em MG

Projeto, dos grupos Solatio e Perfin, fornecerá 130 MW médios para indústria de silício por 20 anos

A multinacional espanhola Solatio e a gestora de recursos Perfin vão investir cerca de R$ 1,6 bilhão para construir um parque de energia fotovoltaica com 650 megawatts-pico de potência no município de Várzea da Palma (MG).

O projeto deve ter suas obras iniciadas no fim do primeiro semestre e o início do fornecimento está previsto para janeiro de 2023. Toda a produção será comercializada no mercado livre de energia, ou seja, para grandes consumidores e com preços negociados sem regulação estatal.

Mais de 80% dos megawatts gerados já têm um cliente certo: a fabricante de silício metálico Liasa, com sede em Pirapora (MG), que fechou contrato de 20 anos para se abastecer com a energia proveniente da nova usina solar.

O compromisso é de 130 megawatts médios e garante toda a necessidade atual de suprimento da empresa, que exporta 85% de sua produção e por isso optou por um contrato dolarizado, o que é pouco comum para algo de tamanho porte e longo prazo no setor.

O diretor de energia da Liasa, Ary Pinto Ribeiro, diz que a troca do carvão mineral pelo vegetal como insumo no processo produtivo e a substituição de outros contratos de fornecimento pela fonte solar reforçam o selo de sustentabilidade da companhia. “Garante a nossa competitividade e permite que continuemos sendo um empregador relevante na região.

Batizado de Helio Valgas, o projeto está com terreno e licenciamento totalmente regularizados, segundo o presidente da Solatio, Pedro Vaquer. A empresa ibérica, presente no Brasil desde 2009, já ergueu parques solares suficientes para abastecer o equivalente a 7,7 milhões de residências em território brasileiro e está com 5,5 mil megawatts de usinas fotovoltaicas em desenvolvimento nos próximos anos – com empreendimentos concentrados na região Sudeste daqui em diante.

Após uma imersão no mercado regulado, em que distribuidoras de energia contratam o fornecimento com geradoras em leilões organizados pelo governo, a Solatio decidiu focar sua expansão exclusivamente no mercado livre.

“O preço é a grande vantagem. Está em um patamar superior ao do ACR [ambiente de contratação regulado], onde dependemos de decisões políticas, e os bancos financiadores estão cada vez mais familiarizados com os contratos de longo prazo do mercado livre”, afirma Vaquer.

A Perfin Asset Management, que administra o fundo Mercury (de participações em energia e potencialmente saneamento), será majoritário na sociedade com a Solatio para erguer o novo projeto. As fatias exatas de cada um, porém, não estão fechadas.

Ralph Rosenberg, sócio-fundador da Perfin, diz que o objetivo do fundo é alcançar uma carteira de 1.400 megawatts de potência instalada, principalmente em parceria com a multinacional espanhola. A gestora já tem projetos de energia fotovoltaica em Pernambuco, em Minas e em São Paulo – sempre com geração centralizada.

Nessa modalidade, uma empresa ou grupo de empresas constrói “condomínios solares” afastados dos centros urbanos, entregando a geração de energia à distribuidora da área de concessão e obtendo créditos para consumir a mesma quantidade de megawatts onde realmente se encontram suas operações físicas.

O projeto em Várzea da Palma, no entanto, é a maior aposta até agora da Perfin. “Estamos ainda estudando a modalidade de financiamento”, diz Rosenberg, que cita a emissão de debêntures de infraestrutura ou bancos de desenvolvimento como algumas opções. “Como o contrato é dolarizado, não descartamos uma emissão de bonds no exterior. No limite, será ‘full equity’ da gente.”

A gestora tem trabalhado em parceria nas áreas em que atua, como com a Casa dos Ventos em energia eólica, com a Alupar em linhas de transmissão e com a Comerc em eficiência energética. “É um setor [o elétrico] em transição. O Brasil precisa e queremos estar em todos os pontos da cadeia que entendemos como necessários.”

O projeto Helio Valgas teve assessoria da comercializadora de energia CMU, do empresário mineiro Walter Fróes, que fez a costura entre desenvolvedores, investidores e consumidores finais.

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Energia: mercado livre fecha 2020 em expansão

Apesar da redução drástica no consumo de energia a partir das medidas de distanciamento social, incluindo a suspensão de diversas atividades econômicas País afora, logo da chegada da pandemia de Covid-19 ao Brasil, em março de 2020, o mercado livre de energia se ajustou e encerrou o ano com crescimento. Diante do cenário, especialistas consultados pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO avaliam o exercício anterior como positivo e projetam um 2021 ainda marcado por impactos, negociações e até racionamento de energia.

Dados da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) dão conta de que, apenas em dezembro, o mercado correspondia a 32% do total consumido no País, com um volume de 97.855 MWmed de energia transacionada. Também no último mês de 2020, eram 8.378 consumidores no mercado livre – aumento de 22% sobre dezembro de 2019 – e 85% do consumo industrial do País estava no segmento, segundo a Abraceel.

Para o presidente-executivo da entidade, Reginaldo Medeiros, 2020 pode ser resumido como um ano desafiador. Conforme ele, a partir das negociações e adaptações, o mercado livre conseguiu transpor obstáculos e ensinar ao mercado regulado grandes lições. “No final do ano, tivemos uma recuperação do consumo e acredito que, se todos já estivessem no mercado livre, o ano teria sido sumariamente positivo diante das circunstâncias”, afirmou.

Neste sentido, Medeiros ressaltou que o grande desafio do setor elétrico em 2021 será justamente avançar na reforma do setor, com a aprovação dos projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional. Medeiros disse que a associação desenvolveu um estudo sobre os desafios para abertura total do mercado livre e que, nas próximas semanas, o mesmo será apresentado aos órgãos competentes para dar prosseguimento ao pleito.

“Essa discussão é indispensável para que todos os consumidores tenham acesso ao mercado livre. Este ano, tão logo o problema da pandemia seja superado, o assunto precisará voltar à pauta”, ressaltou.

O presidente da CMU Comercializadora de Energia, Walter Fróes, chamou atenção para a aceleração na migração de consumidores para o mercado livre durante 2020 e afirmou que a expectativa é boa para o atual exercício. Para ele, o setor passou por um teste muito importante no ano passado e mostrou robustez, o que levará à continuidade do crescimento também em 2021.

“A crise foi mais aguda entre abril e junho, pois o consumo despencou. Mas conseguimos resolver problemas, negociar com clientes sem judicialização e o mercado se ajustou”,resumiu.

Neste sentido, dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) mostram 1.732 migrações de consumidores do Ambiente de Contratação Regulado (ACR) no ano passado, somando 1.618 especiais e 114 livres. Isso levou a um crescimento de 23% no número de consumidores especiais, que já são 7.556. O volume de consumidores livres, por sua vez, teve evolução de 11%, chegando a 1.023.

O sócio-diretor da Enecel Energia, Raimundo de Paula Batista Neto, também disse que foi um ano de muita turbulência, com queda grande no consumo num primeiro momento e que as comercializadoras precisaram negociar contratos. Para ele, assim como outros setores, muitos não conseguiram se manter, o que, naturalmente, confere agora maior nível de segurança ao mercado, dada a solidez das empresas remanescentes.

Desafios – Para 2021, conforme ele, o ano promete muitos desafios. A começar por um mês de janeiro marcado por preços elevados. “O motivo é que tivemos uma péssima administração por parte do operador nacional, que usou nossas reservas em poucos meses e iniciamos o ano com níveis muito baixos em nossos reservatórios. Se não tivermos um volume de chuva considerável nos próximos dois meses, poderemos ter problemas de abastecimento no segundo semestre e até racionamento de energia”, alertou.

Ainda conforme a CCEE, a média semanal do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) encerrou a última semana em R$ 215,56/ MWh no submercado Sudeste.

Já o consultor na área de energia, Aloisio Vasconcelos, acredita que, mesmo após toda a turbulência enfrentada pelo setor em 2020, o quadro de fornecimento e a relação entre a oferta e o consumo de energia estão tranquilos, mesmo com alguns reservatórios com níveis baixos. De toda forma, segundo ele, os preços deverão oscilar no decorrer deste exercício. “Deve subir um pouco por causa de um contrato, descer por causa de alguma negociação, mas tudo dentro da normalidade para qual o setor já está já está já está estruturado”, sugeriu.

Demanda por gás deve subir neste ano 


São Paulo – A demanda global por gás deve crescer 2,8% neste ano, ou cerca de 110 bilhões de metros cúbicos (bcm), voltando aos níveis de 2019, disse um analista da Agência Internacional de Energia (IEA na sigla em inglês) em um evento da indústria ontem.

Os mercados globais de gás tiveram a maior queda já vista no ano passado, quando se estima que o consumo desabou 100 bcm devido a um clima mais ameno no início do ano e à pandemia de Covid-19, que derrubou a demanda por energia, afirmou o analista sênior de gás natural da IEA, Jean-Baptiste Dubreull.

Ainda assim, a demanda por gás se mostrou mais resiliente que por outras fontes de energia, como o petróleo, acrescentou ele, durante conferência on-line.

Preços do gás natural liquefeito (GNL), que atingiram mínimas no mercado spot devido à pandemia, se recuperaram para máximas recorde neste ano, impulsionados por baixas temperaturas e questões de oferta.

“A demanda por gás natural é mais sensível à temperatura que outros combustíveis”, disse Dubreuil.

Ele afirmou ainda que, embora a demanda por gás deva se recuperar neste ano, não há expectativa de uma grande retomada e mercados mais maduros podem ver uma recuperação apenas gradual, com alguns deles ainda não retornando a seus níveis de 2019. Dubreuil disse também que espera novas oportunidades e desafios em um contexto de incerteza sobre a demanda por GNL no médio prazo. Cerca de um terço dos contratos ativos de GNL vencerá até 2025, enquanto a capacidade de liquefação deve crescer em 20%, o que quadruplicará os volumes descontratados. (Reuters)

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